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Discípulo de Kardec 


Invoco-te sem fumos sem escuridão 

na penumbra com música suave, grave, lenta

duas chamas altas a ondular 

a cor do lume a alegria, a ansiedade

com a tua fotografia na minha memória

a já não caber mais no meu pensamento sépia 

com as duas mãos húmidas sobre a mesa 

digo o teu nome igual a tantos nomes

digo o teu nome 

                           Pai 

e a boca do além na tua voz diz o meu nome

o nome que me deste na frescura diária do passado. 

Falaste com frases curtas de espuma, imperceptíveis. 

Nada mais se passou senão a contemplação

e o som do mistério a equilibrar-se nas lágrimas. 

Apenas compreendi esta palavra

                          espero-te! 





 

15 comentários:


  1. Gostei do efeito conseguido na foto.

    Um beijinho pragmático
    (^^)

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  2. Assunto complicado e intenso
    Leva a muitas reflexões
    Gostei

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    1. Seria interessante que o texto tivesse esse aproveitamento.
      Obrigado. Até amanhã.

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  3. Sei pouco sobre o Kardec e o clássico brasileiro também não vi, no entanto, senti pairar no ar uma espiritualidade poética.
    A fotografia é bela como a esfera celeste.

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    1. Quis alcançar a profundidade do POEMA e li-o novamente.
      À segunda leitura ocorreu-me o pedido do pai de Hamlet: VINGANÇA
      O pai do poeta diz simplesmente: espero-te
      O que muitíssimo mais trágico. Digo eu.

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    2. Tomo a liberdade de lhe dizer que Allan Kardec é um teórico do espiritismo.
      Quanto ao comentário após a segunda leitura acho que qualquer interpretação é possível.
      Um abraço

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    3. Eu sei que Allan Kardec é um teórico do espiritismo assim como a mulher, daí eu escrever que no ar pairava uma espiritualidade poética.
      Como não acredito em qualquer forma de espiritismo é impossível qualquer interpretação.
      Como a aparição do pai de Hamlet é irreal, é para mim mais fácil de aceitar do que as teorias de Kardec.
      O pai do poeta NÃO o espera.
      A VIDA é que está à sua espera.

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    4. Concordo, nem sempre o que se escreve é a realidade do autor. Já encontrei a vida e vou de braço dado com ela.

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    5. Quando andava na faculdade irritava-me com os meus colegas (principalmente com as minhas colegas) quando tínhamos de fazer um trabalho em conjunto, e interpretavam a obra segundo a vida do autor.
      Céus!!!
      Estou a cometer o mesmo erro.

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    6. De modo nenhum, tudo o que disser sobre as minhas publicações é bem vindo e eu tomo em conta.

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  4. A foto acompanha bem o poema que é intenso e muito discutível, além de ser misterioso .
    :)

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    1. Sim, admito que é um tema que nem todos cultivam.
      Obrigado pelo comentário.

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