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Outrora era nunca mais
e a nespereira do meu quintal
que se negava
até que um dia
foi num domingo
a vontade dela casou com a minha
foi a prova absoluta
de que estava viva.
A verdade não é o que tu dizes é o que tu pensas
Prendo-me sem querer às marcasque trago da juventude ___ é instintivoeste querer partirsem para lugar certoeste querer amarsem saber a quema falta de protecçãoaquialiem qualquer lugarsempre temi o mare é para lá que me levampara saltar não tenho firmezapara os pés em lado nenhumdeixo-me afogare salvo-me depoispara me afogar de novosempre o tempo me pareceusem fime com inúmeras possibilidadesde recomeço ___ de perigohá uma constante ameaçafoi por isto tudo que partie ainda estou de partida.
Há muito tempo que não olhava para as minhas mãosagora quando escrevo fico a olharpara o brilho da pele e para os rios escurosque vão e vêm para lugares dentro de mima minha vida de um lado para o outro a trazer e a levaro que respiroo que pensoo que digoo que caloe escrevosou uma ilha como um mundocom lugares rochososcom mares turbulentoscom vastos desertose escrevona floresta que sou ___ um melro preto pousana minha realidade mentalacolho-oou é ele que me acolhe a mime escrevonão sei o que fazer ao mundo ___ o fim do poemaé um café duplo e dois pastéis de nata com canelae escrevo.
Nós a pensarmos na nossa inocência de velhosque o amor ainda era possívelapesar da flacidez da nossa pelee da falta de rigidez necessáriaachávamos que ainda tínhamos tempomemorizámos todas as nossas tentativasde tal modo que ainda hoje lamentamosque não tivesse sido possível alteraro que já cada um de nós tinha decididoem décadas de vida para todo o restoque nada em nós se poderia alterarmesmo que a nossa inocência de velhosnos fizesse crer no rosado da nossa pelecomo se nascêssemos de novodentro de uma rosa divina de longa vidaacabámos a tomar chá com madalenase a saborear como dois amigosa emoção das nossas tentativas amorosas.
Diz-me que em fevereiro ainda teremosem comum o nosso calendárioainda que lhe apaguemos uns diasanoiteça cedo em outrose a algumas noites sucedam outras noitesos nossos fevereiros de para sempreserão irrecuperáveis se não houvermais roupa estendida lá forae leite a aquecer no bico de lumedas nossas manhãsdiz-me que em fevereiro estaremos de voltamesmo que neve sobre fevereiro ___ o nossoe mesmo que os sons das crianças a brincarsejam só na nossa imaginaçãoa preencher metade do nosso passadopensando bem não mais me dirásque temos um fevereiro comume que este fevereiro passado seráno meu futuro calendário o mês maiore a fevereiro sucederá outro fevereiro.
Al faltar la culturafalta el pensamientoy sin el resultamuy evidenteel 'todo vale’ quenos domina.
Luis Antonio de Villena
O que sabemos nós de alguma coisa
nada será mais rarodo que não haver água nos riosnada será mais rarodo que não haver estrela na alvoradanada será mais rarodo que não haver espigas para a colheitanada será mais rarodo que sermos os inventores da nossa própria mãe
confessemos a nossa ignorância.
Um galo com a crista em chamascorreu por entre as galinhasque em pânico davam saltos esvoaçandoo deus das galinhas castigou o galoque ambicionava ser o galo dos ovos de ouroque deus é este que incendeia os sonhossó porque um galo queria pôr ovos?há bicos que rezam pelas galinhasque não põem ovosvá um galo confiar num deusinjusto e incendiáriomesmo que seja um deus das galinhas.