Foto de Daniel Filipe Rodrigues



A minha herança 


Escreve o meu nome

depois anota o que te vou deixar


os restos de um deus que desprezei

o anseio que tive de fazer uma revolução 

as flores que plantei por cada amigo que perdi

muitas noites escuras

em que desejei matar-te a golpes de ternura

as canções desconhecidas que cantei

para te agradar

o copo que guardei por lá ter ficado a tua boca


Podes ir à tua vida 

mas deixa a porta encostada

para me vigiares

até eu ter deixado de respirar.



 

21 comentários:

  1. Há poemas belos
    Há poemas comoventes
    Este teu tocou-me por ser comoventemente belo

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  2. Essa herança é deveras bonita e admirável !
    Anotado no coração, amigo
    Meu abraço do domingo.
    * nao estou conseguindo acompanhar suas publicaçoes
    em tempo real, desculpa aí .

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    1. A herança de coisas que não costumamos valorizar.
      Virá aqui quando lhe for possível e eu agradeço.
      Um abraço.

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  3. Bom dia Luís,
    Um poema belíssimo de uma sensibilidade que me comoveu.
    Gostei imenso. A sua poesia é excelente.
    Beijinhos e bom domingo.
    Ailime

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  4. Um testamento nunca visto e imensamente belo e comovente. Gostei também da foto!
    Abraços e um bom domingo

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    1. As heranças não são só dos bens materiais.
      Bom domingo.
      Um abraço.

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  5. Palavras que tocam,
    todas sem exceção
    e na extensão profunda
    que cada uma tem.
    Um kandando.


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  6. Um poema difícil de adjectivar... Dolorosamente belo, direi, porque não encontro palavras que melhor o definam...

    Forte abraço, L.!

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    1. Cara Maria João, classificou muito bem e eu agradeço.
      Um abraço.

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  7. " R y k @ r d o " deixou um novo comentário na mensagem "":

    Linda foto. Fascinante poema.
    .
    Feliz domingo

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  8. Palabras que tocan, la sensibilidad de cualquier corazón.
    Feliz domingo

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    1. Para ser leído por cualquiera que también sea sensible.
      Un abrazo.

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  9. Teresa Palmira Hoffbauer13 de agosto de 2023 às 19:24

    O amor e a dor formam uma unidade e nós não podemos escapar.
    As fotografias do primogénito são fascinantes como a poesia do pai.

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  10. tem tanto de belo como de comovente
    gostei bastante
    :)

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