IA



É tudo tão rápido entre nós 
nem tenho tempo de percorrer o teu corpo todo 
nem tenho um momento para tomar o peso do teu seio 
é tão passageira a ansiedade que me provoca o teu desejo 

és tão vertiginosa entre o princípio e o fim 
é tão desatento o teu olhar que não tenho memória 
para te guardar com os olhos 
é tudo tão rápido entre nós 

e tudo acontece no lado insuficiente da noite 
sem palavras sem promessas sem perguntas
talvez porque o amor é um tema muito antigo 
e já desistimos de o compreender.


 


14 comentários:

  1. A forma como descreve a rapidez e a intensidade do desejo é envolvente e carrega uma sensualidade intensa, quase como se capturasse a efemeridade de um momento apaixonado. As imagens evocadas, como o peso do corpo e o olhar desatento, criam uma atmosfera de intimidade e urgência que é muito poderosa. É um convite a sentir a intensidade do amor e do desejo, mesmo que de forma passageira.
    ADORO essa bela expressão de erotismo.

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    1. Os momentos que marcam quando são entendidos com uma certa ligeireza.

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  2. É esquecer o tempo e acariciar o desejo, o amor....intensamente, livremente...
    Beijos e abraços
    Marta

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  3. Há que compreender o que era no passado e agora no presente qualquer momento, será sempre diferente !A ponderação de julgar o outro é chave de tudo!
    Gostei e a foto ilustra o que digo!
    Beijos e um abraço de bom dia

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    1. É verdade, não se pode analisar o passado à luz da realidade de hoje.
      Um abraço.

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  4. Boa tarde, caro Amigo Poeta/Pintor/Fotógrafo
    O poema em questão parece reflectir sobre a efemeridade das relações humanas, especialmente a fragilidade e rapidez dos encontros íntimos. O autor parece ser uma figura que observa a brevidade e a fugacidade do que é vivido, sem conseguir capturar ou reter a intensidade do momento. O uso de frases como "é tudo tão rápido entre nós" transmite a sensação de algo que escapa, que se perde antes de ser totalmente compreendido ou absorvido.
    A referência ao corpo e ao desejo também aparece de maneira que sugere uma certa distância ou desconexão emocional, como se o físico fosse apenas um reflexo efémero de uma experiência que não consegue ser guardada. O olhar "desatento" e a impossibilidade de lembrar revelam essa incapacidade de reter algo tão fugaz, apesar da vontade de o fazer.
    Por fim, o "lado insuficiente da noite", onde tudo acontece sem promessas ou palavras, enfatiza o vazio de uma busca por algo que já se mostra desiludido, uma tentativa de compreender o amor que, por ser "muito antigo", já não se explica, mas sim se vive de maneira fragmentada e sem respostas definitivas.
    Este poema fala de uma solidão que se reflecte nas relações breves e inacabadas, talvez de alguém que, com o tempo, começa a perceber o quanto o entendimento do amor é algo imensurável e inalcançável.
    A foto está muito agradável e em sintonia.
    Um abraço
    :)

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    1. A sua análise é profunda, o autor reflete sobre o que deixou escrito. Agradeço a demorada atenção dedicada ao meu escrito.
      Obrigado.
      Um abraço.

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  5. Todo pasa muy rápido y sin darte casi cuenta. La vida hay que vivirla intensamente.
    Que tengas un excelente día .

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  6. Tudo, mas tudo mesmo, tende a ser vertiginosamente rápido nos dias que correm, L. E não falo por mim, porque reconhecendo a minha extrema lentidão, não recorro a ela para avaliar o peso dessa velocidade no Outro. Observo-a, observo os seus efeitos no/s outro/s e vejo que este particular período de transição acelerou demasiado em relação a todos os anteriores e sucessivos períodos de transição criados e vivenciados pela nossa humana espécie.

    O impulso de um momento pode ter uma tremenda força e isso sempre assim foi, é naturalíssimo... O problema, agora, é que ninguém tem tempo para preparar o salto entre um momento e o que imediatamente se lhe segue. Vamos, ou melhor, a maioria de nós vai estatelar-se muito antes de chegar ao fim desta maratona que teimamos em percorrer no tempo record da corrida de cem metros.

    Esse seu coração voa, enquanto o meu, remendado, continua a conversar serenamente com a razão que, ainda que ligeiramente desmemoriada, não está tão empenada quanto ele.

    Esta é a minha leitura imediata, a primeira que me ocorreu ao ler este seu excelente poema. Tinha de a deixar aqui antes de me render completamente ás leituras da Teresa e da Piedade Sol que são fabulosamente intimistas, em vez de abrangentes e sociais, como a minha.

    Um abraço!

    PS - Creio que, por aqui, a Razão está a tentar reanimar o Coração remendado.
    .

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    1. Deslumbro-me com os comentários das/os minhas/eus leitoras/es. As coisas que descobrem no que deixo escrito é tão interessante que me ponho a reler o que escrevi. Este é o caso e como a Maria João bem diz as análises têm facetas diferentes e são muito iluminadas pela inteligência das comentadora, digo eu.
      Um abraço.

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  7. Por vezes
    o desamor
    te inspira
    e sai
    um
    belo poema

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