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Ainda não somos uma jangada de pedra
ou somos? 
gritam todos 

alguém pergunta
um almirante que baloiça nas águas 
para a esquerda e para a direita até ao enjoo
que se perfila como comandante
é isso que define que nos encontramos à deriva
desacostados do cais da Europa? 

no burburinho do pânico uma voz se levanta
esse é o homem certo 
para apresentar o Preço Certo! 
aplausos

estamos a navegar à vista
nem a poesia nos mostra o norte.




12 comentários:

  1. Gostei muito de "A jangada de Pedra", de Saramago.
    A Península Ibérica separa-se geograficamente do
    Continente europeu, tanto cultural, social e economicamennte.
    Navegando à deriva "nem a poesia nos mostra o norte".
    Um abraço
    Olinda

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    1. Também gostei. Saramago encanta na forma e é esclarecedor no conteúdo.
      Um abraço.

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  2. Estamos mesmo à deriva...isolados no Mundo e do Mundo...O pior é que o próprio Mundo está perdido em si próprio...
    Beijos e abraços
    Marta

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  3. Seguimos à deriva, sem mapa nem bússola, o mar nos sussurra segredos de bruma: há norte nas estrelas que a névoa nulifica, e no peito, o pêndulo da esperança se perfuma.
    A poesia, por vezes, é farol que não brilha, ou corda antiga que aquece a mão cansada: nem a rima nos entrega o rumo nem a guia, mas ilumina o passo na noite encoberta.
    Navegar é arte de confiar no vento, de aprender com o movimento de cada aguaceiro: o norte pode não aparecer no firmamento, mas o coração sabe onde acena o coração inteiro.

    Meu coração não responde ao almirante. O meu candidato às eleições presidenciais está SEGURO no porto.

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    1. Muito interessante o seu comentário. A poesia deveria ser um farol assim todos sentissem necessidade dela.
      Sem rumo fico-me a ouvir a sinfonia n°2 de Mahler cujo título poderia ser inspirador.

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    2. A “Sinfonia da Ressurreição" é uma obra monumental considerada uma das suas obras mais populares e importantes e trata do tema da morte e da ressurreição — baseada no poema „Ressurreição“ de Friedrich Gottlieb Klopstock.

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  4. Saramago já previa um futuro incerto e vagar em mar aberto como ele diz era sinônimo de honra_ não li o livro e seu poema indica que estão a navegar sem rumo... Aproveito para desejar um Feliz Natal , Luís. E que o novo Ano seja nosso ,aqui novamente, compartilhando .
    Beijinhos

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    1. Saramago era quase um sábio, saiu ao seu avô que ele considerava sábio sem nunca ter aprendido a ler.
      Os seus votos são os meus, Bom Natal e que 2026 seja um bom ano.
      Um abraço.

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  5. Boa tarde Poeta,
    Um poema que diz tanto dos tempos que este País, à beira-mar plantado, atravessa.
    Alguma ironia que atesta bem a falta de rumo, sem líderes e políticas confiáveis.
    Bom fim de semana.
    Abraço.
    Emília

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    1. Este país e o mundo estão à beira de uma convulsão, tal como certos "homens" desejam.
      Bom fim de semana.
      Um abraço.

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