Foto de Daniel Filipe Rodrigues


Que me matem num deserto
antes de eu nascer
sem orações 
sem lugar
sem voz
serei 
o mais ateu
o mais apátrida
o mais silencioso 
dos cadáveres. 




12 comentários:

  1. O egoísmo do Mundo...esquecidos e perdidos...
    Beijos e abraços
    Marta

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  2. Para reflexionar...
    Un abrazo, Nubes.
    También hay una nueva publicación en mi blog.
    Espero que pases un buen día

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  3. Bom dia Caro Poeta
    O poema mergulha-nos numa atmosfera de desolação existencial, onde o deserto simboliza a ausência total de pertença, fé, voz e identidade.
    A força do texto reside na simplicidade crua das palavras e na intensidade do silêncio que evocam, transformando o poema num corpo sem país, sem oração e sem origem ,apenas humanidade nua diante do nada.
    Boa semana!
    :)

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    1. Foi com gosto que li o seu comentário. Muito esclarecedor e com grande pormenor esta sua interpretação.
      Muito Obrigado.
      Um abraço.

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  4. Eu que vivi na primeira pessoa uma guerra louca tornamo-nos opacos onde encaixo as tuas palavras!
    Beijos e um bom dia

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  5. Não tem a ver, mas a imagem do rectângulo azul, lembrou-me o título do livro de Almada, k4 o quadrado azul.
    Todos os cadáveres são silenciosos. Mas falam.

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  6. Não sei o que se passa comigo hoje. Tudo me comove e esta morte anterior à concepção deixa-me completamente sem palavras.

    Um abraço apertado, L.

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