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Há muito tempo que não olhava para as minhas mãos 
agora quando escrevo fico a olhar
para o brilho da pele e para os rios escuros
que vão e vêm para lugares dentro de mim 
a minha vida de um lado para o outro a trazer e a levar
o que respiro
o que penso
o que digo
o que calo
e escrevo
sou uma ilha como um mundo
com lugares rochosos
com mares turbulentos
com vastos desertos
e escrevo
na floresta que sou ___ um melro preto pousa
na minha realidade mental
acolho-o
ou é ele que me acolhe a mim
e escrevo

não sei o que fazer ao mundo ___ o fim do poema 
é um café duplo e dois pastéis de nata com canela
e escrevo.


 

1 comentário:

  1. Escrita como veste de identidade.
    A pessoa-ilha explora mares, desertos e florestas da mente, acolhendo um melro preto como símbolo de presença inseparável.
    O poema encerra num desejo simples, quase quotidiano, que contrasta com a vastidão da reflexão: escrever como modo de existir.

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