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Nos domingos da minha infância 
o sol nascia sempre sobre o meu quintal
eu ficava a olhar o roxo luminoso
das campainhas e o branco dos malmequeres 
que cresciam até à altura dos meus olhos

certos domingos a minha mãe 
aparava-me o cabelo ainda loiro
e as minhas irmãs imitavam a função 
com os seus pequenos dedos em tesoura
no cabelo estopa das suas bonecas

sobre o meu quintal havia
um pequeno quadrado grande de céu 
e eu deitava-me no chão a sonhar
com os olhos cheios de azul ___
___ no meu quintal só faltava o mar

do céu caía um mar de pequenos frutos
amarelos que eu acreditava passarem
por entre a árvore de onde de facto nasciam
jamais esquecerei aquele azul do céu 
que me cabia e era só meu

é curta a longa vida dos artistas
a obra não fica completa
do céu que contemplo agora no catre
onde descanso da minha velha vida
já não há manhãs novas 
nem caem do céu frutos dourados
o cabelo não desponta
e as mães morrem ___ o que é injusto

é trágica a vida dos artistas. 


 

1 comentário:

  1. O poema evoca a infância, a simplicidade do quintal, a fusão entre natureza e memória familiar. Imagens de céu azul, flores, cabelos loiros, brinquedos, zombando da passagem do tempo. A vida do artista é descrita como trágica pela dificuldade de completar o sonho, a arte que não termina de “completar o céu” e a ausência de novas manhãs, frutos dourados caindo do céu. Resta uma melancolia de realize de que a realidade não corresponde à aspiração artística.

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