Primeiro a paisagem

 

Deixei o meu amor 

sobre a mesa de cabeceira 

como não sonho não preciso dele 

enquanto durmo. 

Apaguei a luz 

e logo ouvi um murmúrio 

     sou o teu amor 

     estou no cimo de uma montanha 

então sussurrei também 

     deixa-te estar 

     o amor quer-se primeiro 

     numa paisagem 

a voz insistiu

     vem, não demores

     os velhos são sempre feios

então respondi decidido

     espera, amanhã terás direito

     a um pouco de céu.




27 comentários:

  1. O amor fica onde nós não estamos para que depois seja mais fácil nos encontrarmos

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  2. A imagem é absolutamente original — a seta vermelha indica um pouco de céu.
    A minha opinião sobre o poema deixo-a em cima da mesinha de cabeceira.
    E apago a luz 💡

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    1. O seu comentário pode ser entendido como um voto favorável ao texto. É um comentário curioso no aproveitamento da ideia do texto e... simpático.

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    2. Eu só aproveito aquilo que me agrada como um amor pousado em cima da mesa de cabeceira — com o calor do dia, deito o amor na piscina.

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  3. CURIOSÍSSIMO TEXTO POÉTICO... GOSTEI, TAL COMO GOSTEI DA PINTURA A AGURELA E PASTEL(SECO?)

    FORTE ABRAÇO!

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  4. Criatividade tanto na imagem como no poema. É bom encontrar tanta inspiração.
    Uma boa semana com muita saúde.
    Um beijo.

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    1. É a dedicação à causa da poesia e das artes. Agradeço a sua visita e a simpatia das suas palavras.
      Boa semana, um abraço.

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  5. Bom dia!

    Este seu texto fez-me lembrar a letra da canção do Tozé Brito e do Paulo de Carvalho:

    Ela partiu não me olhou e deixou ficar/O nosso amor pelo chão para eu arrumar
    Pôs a ternura a correr e a saudade na nossa mesa/Deixou o amor por fazer e a tristeza no ar...


    Aqui foi ele que relegou o amor para segundo plano.
    E pensava que eu que o autor acreditava ser o Amor a salvação de tudo.

    O Amor não se adia, nem com a promessa de uma nesga de Céu... Digo eu!

    Um abraço.

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    1. *Há ali um "que" a mais, não ligue. :)

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    2. O amor não é a salvação de tudo, pode até ser a desgraça tudo. O amor não se adia, ele aparece e desaparece no tempo.
      Muito Obrigado.
      Um abraço também.

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    3. Vai desculpar-me, mas não concordo totalmente consigo, Luís.
      O amor só poderá trazer desgraça quando não é correspondido. Mesmo assim, se for um Amor sincero, coloca sempre a felicidade do ser amado acima da própria felicidade. De que aianta termos do nosso lado alguém que não nos ama ou deixou de nos amar? Amar, também é renúncia em prol de quem se ama. Nunca o amor pode ser egoista, senão, não é amor. É desejo de posse.
      Mas esta é a minha forma muito pessoal de encarar este nobre sentimento, sem nada a ver com a ficção poética, bem entendido.

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    4. "Amar, também é renúncia em prol de quem se ama. Nunca o amor pode ser egoista, senão, não é amor"
      É nestas suas frases que tão bem ilustram o seu pensamento que reside o grande problema, o grande desassossego.
      Obrigado pelo diálogo.

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    5. Tem toda a razão. Esse é um desassossego que nos marca e fica para toda a vida.
      Eu é que agradeço.

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  6. Talento, inspiração e criatividade poeta inserta no poema e na imagem. Ambos formam a conjugação perfeita
    .
    Uma 2ª feira feliz
    .

    .

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  7. Aunque no lo esperabas , el amor regresa a buscarte.

    Besos

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  8. Entendo o amor como a roda que movimenta o mundo, que gera a paz e a felicidade. Entendo a falta dele como a semente do ódio, do desespero e da infelicidade.
    Abraço e saúde

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    1. Na generalidade concordo mas tomo em conta os amantes infelizes.
      Saúde, um abraço.

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  9. A criatividade do Poeta tanto no poema como na tela.
    Gostei do conjunto.
    Beijinhos
    :)

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