Foto do autor do texto
Na inesperada quietude
É na inesperada quietude
que se animam os remorsos
da morada que se esqueceu
onde se deixou uma mala vazia
violentamente vazia
de uma mesa sem nada
que na sua vaidade de madeira rara
disputará com a cama fria a importância
dos momentos quase redondos.
É na inesperada quietude
que se animam os remorsos
de um nome desenhado
que se deixou por acabar
das vozes que ficaram coladas
às paredes forradas de folhas de acanto
e das mãos que não embalaram choros
adormecidos sob um tecto azul.
Nesta quietude
à solidão chamo fracasso
ao remorso chamo sentença.
Embora nem a fotografia nem o poema me dêem a sensação de quietude, acho tanto a fotografia como o poema envolventes.
ResponderEliminarÉ na quietude que se animam as inquietações.
EliminarA quietude é o reflexo de tantos desejos escondidos
ResponderEliminarA quietude nem sempre é um momento pacífico.
EliminarLi, reli, fiz pausa voltei a ler e apenas senti uma confusão de sentimentos que não consigo compreender bem longe de uma "quietude". Mesmo que esta seja a zona envolvente não se desfruta com inquietações e não consigo mergulhar na parte final porque a "solidão não é nenhum fracasso e o remorso??? não é uma sentença a não ser que não tenhamos feito muito bem as contas. Não percebi nadica de nada e só desejo que fiques bem, porque para mim "a vida é aquilo que faço dela, portanto faço o melhor que puder e passado é passado."
ResponderEliminarBeijos e um bom dia e desculpa a minha sinceridade
Um comentário cheio de sinceridade, como é habitual e que eu aprecio. É tranquilizador quando, ao revermos a nossa vida, não se conclui o mesmo que ficou dito no texto de hoje. Fico contente por, mais que não seja, a publicação suscitar uma reflexão.
EliminarUm abraço e obrigado.
Adoro pedras, sobretudo se estiverem cobertas de líquenes como estas estão. Vou ter de sair do estado de graça em que estas pedras me deixaram para poder sentir e entender, ou não, o poema...
ResponderEliminarLido o texto poético - uma confissão de inquietude, apesar de tudo... - direi que o "senti", embora me seja impossível rever-me nele:
Estivesse eu menos dependente e, à minha solidão, chamar-lhe-ia vitória.
Um forte abraço, L.!
Partilho esse gosto pelas pedras, incluindo seixos.
EliminarEntendo perfeitamente que vencer a solidão se possa chamar vitória, analisando por outro ponto de vista.
Um abraço.
Maravilhoso!
ResponderEliminarBoa Tarde.
Boa tarde Caro Poeta/Pintor
ResponderEliminarUm poema onde o poeta denota a sua inquietude de forma crua e fria.
Quanto ao remorso, concordo com a definição.
A foto está bastante boa e em completa sintonia com o poema.
Desejo uma boa semana com muita saúde.
:)
O seu comentário diz tudo sobra a publicação e a mensagem nela expressa. Agradeço o seu cuidado na leitura.
EliminarUm abraço.
Li este poema, ontem pouco depois de o ter publicado, reli-o agora e sinceramente não sei como comentá-lo. Já mais do que uma vez tenho dito que tenho grande dificuldade em comentar poesia, no entanto às vezes consigo uma interpretação que até pode não ter nada a a ver com o que o poeta sentiu quando o escreveu, mas que é o que senti. Hoje não consigo porque o que sinto é muito confuso. Como se o poeta estivesse cheio de sentimentos contraditórios. Desculpe.
ResponderEliminarAbraço e saúde
No meu entender, uma das valias da poesia "não figurativa" usando uma expressão aplicada à pintura é a possibilidade de cada leitor encontrar pontos de contacto com a sua sensibilidade e o seu entendimento, por isso não acho nada estranho que, o que disse, seja afinal uma interpretação.
EliminarNada a desculpar, ora essa!
Agradeço a franqueza, um abraço.