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Incerto ao som de Piazzolla


O sempre breve encontro das nossas mãos 

com todos os teus dedos límpidos 

nunca estrangulados por anéis ___ nem os de herança 

O sempre breve encontro das nossas mãos

antes da tua partida para o momento mágico 

em que dedilhaste Piazzolla no pequeno palco escuro

e a tua voz

só o teu rosto sobre o bandoneón

a Balada para un loco com todo o negrume em volta ___

___ e eu a consumir cigarros sozinho numa mesa

como um louco sem saber se voltarias

se encostarias a tua perna à minha

se eu te faria um convite em voz baixa. 


Acorde sobre acorde

cigarro atrás de cigarro

copo a seguir a outro copo

até cair o pano sobre a minha dúvida 

As ruas de Buenos Aires abafaram os meus passos.








16 comentários:

  1. Embora me tenha perdido de amores pela “Balada para un loco” não ofuscou o poema.
    Não gosto da língua espanhola. Gosto sim, de loucos.
    Gosto também de poemas que contem uma história … muitíssimo interessante a história de amor em Buenos Aires.
    Summa summarum: ao ler o poema ouvindo a balada me senti na sequência de um filme.
    Cai o pano e eu digo simplesmente boa noite 💙 Teresa Palmira Hoffbauer 💙

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    1. É sempre bem vindo o seu comentário.
      Cai o pano hoje, amanhã o espectáculo continua.

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  2. Hoje sim...com este texto belíssimo lido e relido ao som da bonita voz de Amelita, o dia será especial.

    Boa noite, abraço.

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    1. É um prazer ter comentários imediatos.
      O dia está a começar, esperemos que seja especial, como diz.

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  3. Ah Buenos Aires de muitas paixões !
    _ poema tão bom quanto Piazzolla e sensual como
    seus tangos estilizados.
    Bom adormecer no mesmo embalo., enquanto tu despertas.
    meu abraço

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  4. Normalmente são os passos que abafam as ruas

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  5. Lo has descrito tan bien ,que parece que estoy ahí contemplando la escena. Me encanta la música de tu país y me ha encantado esta canción y la buena voz de la persona que lo canta..
    Besos.

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    1. Tu comentario es de cortesía. La música de Piazzolla despierta en nosotros la poesía. Un abrazo.

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  6. Uma bela recriação do ambiente mágico do tango.
    Só faltou o Carlos Jardel...
    Excelente, gostei imenso.
    Bom fim de semana, caro Luís.
    Um abraço.

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    1. A homenagem foi a Piazzolla, talvez um dia me lembre de Gardel.
      Bom fim de semana.
      Um abraço.

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  7. Magnífico!!!
    Depois do que aqui li e ouvi - Piazzola, o «tangueiro» maior - estou decidida a convencer o maridão a voltarmos a Buenos Aires.
    Beijo.

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    1. Uma maravilhosa viagem. Havendo oportunidade é aproveitar.
      Um abraço.

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  8. Bolas que nervos o meu comentário quer neste, quer no do andar debaixo foram para o teu email com toda a certeza!!!

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    1. Recebi por mail, sim.
      Naquela época a bebida já não me toldava o pensamento.
      Um abraço.

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