A quem interessa a poesia
a não ser a quem
a poesia já interessa

os deuses sabem quem foram
os seus inventores
talvez alguns poetas
tenham culpa nessa invenção 

como castigo os deuses
não se interessam pela poesia
na dúvida é olhar o mundo. 


 


6 comentários:

  1. Essa reflexão poderosa lembra-me o niilismo de certos autores que veem a literatura como uma tentativa vã de organizar o caos.
    A imagem desta noite é um mimo.

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    1. O caos depois a ordem e de novo o caos. Como nascer, viver e depois morrer.

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    2. Essa é uma perspectiva sobre o isolamento da arte e a indiferença do real. O poeta toca num ponto nevrálgico: a poesia muitas vezes parece um circuito fechado, onde o emissor e o receptor são a mesma substância. Se "olhar o mundo" é o antídoto para a dúvida, o que se vê é que a natureza e os deuses operam por leis brutas, não por rimas. A ideia da poesia como um "castigo" para os seus inventores sugere que o poeta é aquele condenado a tentar dar sentido ou beleza a algo que, na sua essência, é apenas funcional e indiferente.

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    3. Fico esmagado pela erudição do seu comentário. Estou a falar verdade. Aceito contente que o meu texto lhe tenha suscitado tal reflexão o que quer dizer que talvez haja uma mensagem, algo válida, no que deixei escrito.

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    4. Algum dia, recebo outro raspanete da sua leitora anónima.
      Eu sei que sou muito chata, porque leio os trechos literários com a mente e não com o coração.

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    5. Aceito de bom grado todos os comentários. Agrada-me que reflitam sobre o que escrevo e que isso me seja dito.

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