Dispo-me por detrás do biombo
que é a minha escrita
como disse Vergílio Ferreira
assumo aí a falsidade do que sou
e a falsidade do que escrevo
tenho na minha mesa ___ hoje
um ramo de malmequeres
isto é a poesia
eu a fingir com a minha escrita
a tentar salvar a Arte.

A arte deve fluir...encontrar formas de navegar apesar dos obstáculos... morrendo a arte... morremos nós aos bocados...
ResponderEliminarBeijos e abraços
Marta
A Arte é o que nos mantém à tona.
EliminarUm abraço.
Não sei onde o gosto mais; se nos diários, se nos romances. Vergílio Ferreira ter existido e ter escrito como só ele, é sorte nossa.
ResponderEliminarPenso o mesmo. Vergílio Ferreira é uma companhia, os seus livros são um diálogo com quem está sózinho.
EliminarUm abraço.
Partilho da ideia de um ramo de malmequeres ser poesia, embora isso me fača lembrar mais Alberto Caeiro. Mas hoje é dia de cravos vermelhos!
ResponderEliminarEstou consigo nessa ideia, hoje é dia de Cravos Vermelhos.
EliminarUm abraço.
Um poema lúcido e honesto, onde a escrita se assume como máscara e revelação.
ResponderEliminarA referência a Vergílio Ferreira reforça a consciência do fingimento poético, transformando-o num gesto de resistência e amor à Arte....
A Arte é tudo aquilo que nos ajuda a viver e contraria a crença da inutilidade da vida.
EliminarUm abraço.
Por trás de um Biombo podemos ser o que quisermos! Gostei :)
ResponderEliminar-
I N T E M P É R I E... .
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Beijos e Bom fim de semana
Escondemo-nos e depois reaparecemos.
EliminarBom domingo.
Um abraço.
ResponderEliminarCaro Poeta/Pintor
Este poema constrói-se num diálogo íntimo com a própria escrita, assumida como biombo, lugar de ocultação e, paradoxalmente, de exposição.
A evocação de Vergílio Ferreira não surge como ornamento erudito, mas como alicerce conceptual: escrever é assumir a falsidade do eu e do texto, e ainda assim persistir.
A imagem singela dos malmequeres na mesa funciona como metáfora eficaz da poesia: algo aparentemente simples, quase frágil, mas carregado de sentido.
Entre o fingimento consciente e a tentativa de “salvar a Arte”, o poema revela uma lucidez rara a de quem sabe que a escrita não redime totalmente, mas resiste.
Há aqui uma poética da verdade imperfeita, onde o acto de escrever, mesmo fingido, continua a ser necessário.
Bom domingo e uma semana com mais leveza, do que esta.
:)
Aprecio sempre as suas análises detalhadas. Eu não saberia falar assim dos meus escritos.
EliminarObrigado.
Um abraço.
O escritor assume a responsabilidade ética de não ser apenas um observador, mas um participante da história.
ResponderEliminarO grande desafio nesse debate é equilibrar a mensagem política com a qualidade literária.
Procuro que nos meus textos haja algo mais sob a aparência imediata.
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