Dispo-me por detrás do biombo 
que é a minha escrita 
como disse Vergílio Ferreira 

assumo aí a falsidade do que sou
e a falsidade do que escrevo
tenho na minha mesa ___ hoje
um ramo de malmequeres 
isto é a poesia
eu a fingir com a minha escrita
a tentar salvar a Arte. 




14 comentários:

  1. A arte deve fluir...encontrar formas de navegar apesar dos obstáculos... morrendo a arte... morremos nós aos bocados...
    Beijos e abraços
    Marta

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  2. Não sei onde o gosto mais; se nos diários, se nos romances. Vergílio Ferreira ter existido e ter escrito como só ele, é sorte nossa.

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    1. Penso o mesmo. Vergílio Ferreira é uma companhia, os seus livros são um diálogo com quem está sózinho.
      Um abraço.

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  3. Partilho da ideia de um ramo de malmequeres ser poesia, embora isso me fača lembrar mais Alberto Caeiro. Mas hoje é dia de cravos vermelhos!

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    1. Estou consigo nessa ideia, hoje é dia de Cravos Vermelhos.
      Um abraço.

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  4. Um poema lúcido e honesto, onde a escrita se assume como máscara e revelação.
    A referência a Vergílio Ferreira reforça a consciência do fingimento poético, transformando-o num gesto de resistência e amor à Arte....

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    1. A Arte é tudo aquilo que nos ajuda a viver e contraria a crença da inutilidade da vida.
      Um abraço.

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  5. Por trás de um Biombo podemos ser o que quisermos! Gostei :)
    -
    I N T E M P É R I E... .
    -
    Beijos e Bom fim de semana

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  6. Caro Poeta/Pintor
    Este poema constrói-se num diálogo íntimo com a própria escrita, assumida como biombo, lugar de ocultação e, paradoxalmente, de exposição.
    A evocação de Vergílio Ferreira não surge como ornamento erudito, mas como alicerce conceptual: escrever é assumir a falsidade do eu e do texto, e ainda assim persistir.
    A imagem singela dos malmequeres na mesa funciona como metáfora eficaz da poesia: algo aparentemente simples, quase frágil, mas carregado de sentido.
    Entre o fingimento consciente e a tentativa de “salvar a Arte”, o poema revela uma lucidez rara a de quem sabe que a escrita não redime totalmente, mas resiste.
    Há aqui uma poética da verdade imperfeita, onde o acto de escrever, mesmo fingido, continua a ser necessário.
    Bom domingo e uma semana com mais leveza, do que esta.
    :)

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    1. Aprecio sempre as suas análises detalhadas. Eu não saberia falar assim dos meus escritos.
      Obrigado.
      Um abraço.

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  7. O escritor assume a responsabilidade ética de não ser apenas um observador, mas um participante da história.
    O grande desafio nesse debate é equilibrar a mensagem política com a qualidade literária.

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    1. Procuro que nos meus textos haja algo mais sob a aparência imediata.

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