Diz-me que em fevereiro ainda teremosem comum o nosso calendárioainda que lhe apaguemos uns diasanoiteça cedo em outrose a algumas noites sucedam outras noitesos nossos fevereiros de para sempreserão irrecuperáveis se não houvermais roupa estendida lá forae leite a aquecer no bico de lumedas nossas manhãsdiz-me que em fevereiro estaremos de voltamesmo que neve sobre fevereiro ___ o nossoe mesmo que os sons das crianças a brincarsejam só na nossa imaginaçãoa preencher metade do nosso passadopensando bem não mais me dirásque temos um fevereiro comume que este fevereiro passado seráno meu futuro calendário o mês maiore a fevereiro sucederá outro fevereiro.

Dois sentidos: continuidade (persistência) e memória.
ResponderEliminarEstar vivo.
EliminarO Fevereiro deste ano será inesquecível para todos os portugueses que o viverem. Mas há sempre mais para lá dos cataclismos naturais: a uns calham alegrias e esperança e a outros um céu de chumbo. É a vida.
ResponderEliminarO céu de chumbo é o que está aqui por cima. Uma desolação.
EliminarUm abraço.
Este Fevereiro está a limpar as obras dos INGINHEIROS que ao longo dos anos aprovaram construções e nas antigas só fazem remendo
ResponderEliminare o que sobra metem no bolso o povo que se amanhe! É uma tristeza!
Beijos e um bom dia!
O povo sofre sempre as consequências.
EliminarUm abraço.
Um poema de fevereiro que é, afinal, um poema de memória e de ausência.
ResponderEliminarTocou-me essa ideia de um “calendário comum” que se desfaz no tempo , delicado, melancólico e muito humano....
A vida em comum é para ser verdadeiramente em comum.
EliminarPouco importa o mês... é estar vivo e saber viver cada momento... mesmo que haja lágrimas...que fazem parte da vida e da memória...
ResponderEliminarBeijos e abraços
Marta
Fevereiro dá jeito por as despesas serem mais curtas.
EliminarUm abraço.
ResponderEliminarCaro Poeta/Pintor
Gostei muito da forma como Fevereiro surge aqui como metáfora de um tempo partilhado íntimo, doméstico, quase sagrado.
As imagens da roupa estendida e do leite ao lume trazem uma ternura quotidiana que contrasta com a consciência da perda e da irreversibilidade.
Esse “calendário comum” que deixa de o ser é uma ideia belíssima e dolorosa.
O fecho, com a repetição de Fevereiro no futuro, reforça essa sensação de ciclo que continua, mas já nunca igual.
Um poema subtil, nostálgico e profundamente sensível.
:)
Muito interessante o pormenor da sua análise. É um gosto ler e reler os seus comentários e voltar a ler o meu escrito.
EliminarMuito Obrigado.
Um abraço.