Foto de Daniel Filipe Rodrigues


Hoje não há cor

o cinzento é nostálgico 

comemos o dia às fatias

e uma acidez negra

adoece em nós. 



12 comentários:

  1. Metaforicamente descreve uma zona cinzenta, neutralidade, falta de cor e de vitalidade.
    Fotografia lindíssima do inverno ❄️ frio e branco.

    ResponderEliminar
  2. Se a falta de cor é a da foto, é muito bonita.
    "Horas fundas" esperarei pelo sol e pela cor que pinta nos dias. O inverno é um esforço de viver, letargia de quase morte. E, contudo, tem a sua beleza.
    Bom Dia

    ResponderEliminar
  3. O cinzento pode ser deprimente....mas vive...e é possível encontrar aí beleza...
    Beijos e abraços
    Marta

    ResponderEliminar
  4. A neutralidade da cor cinzenta tem o brilho intenso da urgência dos dias em que desejamos regressar à casa onde nascemos.
    Tudo de bom, meu Amigo Luís.
    Um beijo.

    ResponderEliminar
  5. Desminto!
    Hoje uma leve luz
    acendeu num céu invernoso
    lembrando-me a alma
    que a esperança existe

    ResponderEliminar
  6. Boa tarde Caro Poeta/Pintor
    Há aqui um poeminha que sabe exactamente o que é. E isso não é pouco.
    O verso de abertura. “Hoje não há cor” é seco, directo, quase um diagnóstico. Não dramatiza, constata. E isso cria um chão firme para tudo o que vem depois. O cinzento nostálgico não é só visual: é emocional, é memória cansada, é um passado que não dói em agudo, mas pesa.
    “comemos o dia às fatias” é, para mim, o verso mais forte do poema.
    Há desgaste aí, rotina mastigada sem fome, sobrevivência em vez de vida. Não se vive o dia inteiro, consome-se, parcela-se, aguenta-se.
    A seguir, “uma acidez negra” entra quase como um refluxo da alma. É um sabor, não uma ideia. E termina com “adoece em nós”, que fecha o poema para dentro, sem explicações, sem moral.
    Não é o mundo que adoece: somos nós que o digerimos mal.
    É um poema breve, mas coerente no tom, na imagem e no sentimento. Não tenta ser bonito , é honesto. E dias assim pedem exactamente isso: palavras que não se esforçam para brilhar.
    E já dizia Fernando Pessoa: "Cada dia é o que é, e nunca houve outro igual no mundo"
    E este poema soube ser exactamente o dia que era.
    Contudo também posso concluir, que não sei se me alonguei e a minha interpretação, está fora de sentido.
    Mas acho que cheguei lá.
    Boa semana dentro do possível, que dói ver o nosso País como está.
    :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Isto pesa, a vida pesa. Aprecio muito estes seus textos, valiosos, falam tanto e tão completamente que me surpreendo. Muito obrigado.
      Um abraço.

      Eliminar