Imagem de ChatGPT 


Encontrei-me sem consciência 
a conversar com Deus
sem preocupações com a verdade ou com o medo  
 
Ele falou como um mistério no meu silêncio 
a mais das vezes não compreendo
as tuas falas
os teus gestos
as tuas dores
quando lavras a terra com a tua língua 
quando numa fonte perdes a sede por entre os dedos
quando dentro de uma laranja encontras uma luz natural
quando um grilo canta contigo na tua própria gaiola
quando começas um poema e é ele que te anuncia

perante o meu silêncio Deus disse-me
saúdo-te por me teres inventado
e isso só foi possível por me trazeres dentro de ti. 

 


 

20 comentários:

  1. Mas é isso que devemos sentir... sem ideias pré-concebidas...porque cada um tem a sua própria versão de Deus e todos devemos respeitar.
    Beijos e abraços
    Marta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A espiritualidade manifesta-se, cada um atribui isso a origens diferentes.
      Um abraço.

      Eliminar
  2. Respeito todas as religiões e jamais falar mal . Mas eu tenho fé que existe e acredito que Jesus (não o do futebol )era um homem simples amigo do seu amigo e mesmo assim fizeram-lhe a folha!
    A imagem é tão bonita!
    Beijos e um bom domingo!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Mesmo sem sermos crentes podemos apreciar certos aspectos da vida de Jesus.
      Bom domingo.
      Um abraço.

      Eliminar
  3. O poema expressa uma relação íntima entre silêncio, divindade e criação.
    „Perante o meu silêncio” sugere que, diante do vazio ou da ausência de palavras, Deus se revela de forma plena.
    „Deus disse-me: saúdo-te por me teres inventado” indica que o eu lírico reconhece que o próprio acto de ser — de se inventar e existir — é resultado de uma presença divina. Saudar Deus por fazê-lo nascer dentro de si sugere gratidão pela internalização dessa força transcendente, como se o ser tenha sido formado ou concebido por uma presença que está dentro dele.
    A certeza de “isso só foi possível por me trazeres dentro de ti” reforça a ideia de que a íntima essência do eu resulta de uma relação de eu com o outro | divindade, onde o interior do sujeito é preenchido por aquilo que vem de fora em forma de bênção, guia ou inspiração. O tom é de reverência, reconhecimento da dependência criativa e uma sensação de pertença a algo maior que a própria pessoa.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Encantei-me com este seu escrito sobre o meu escrito. Voltei à leitura do que escrevi e encontrei tudo o que foi a sua interpretação.
      Obrigado

      Eliminar
  4. Há quem precise de um deus, uma transcendência. Identifico-me com essa ideia e penso que, na sua liberdade, o homem é livre para aceitar ou rejeitar o transcendente divino que, julgo eu o habita e faz possível a comunhão ou o diálogo com um ser ou uma força que transcende o humano. Também julgo que é muita pretensão erigir o homem como único ser, admitir que mora apenas nele a sua própria transcendência. Rejeitar o divino é uma forma de orgulho, penso. Mas como atrás disse, a liberdade torna possível qualquer resposta.
    Bom Dia, Nuvens

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A espiritualidade é algo que distingue o humano do animal. Cultivemos essa possibilidade. Os comentários que enriquecem o meu blog são esse exercício.
      Um abraço.

      Eliminar
  5. Acredito que há mais vida além da humana por esse universo, mas no Deus criador do Universo e do Homem, não acredito. Mas não nego, seria arrogante fazê-lo (como diz a Bea), pode existir e eu não encontrei, não sinto ser possível e desagradam-me especialmente não os credos e as crenças que acho bonitas, mas as instituições que se arrogam falar e fazer em nome de Deus e as guerras às quais são o seu nome. Ainda assim agrada-me a ideia da espiritualidade como comunhão connosco, com os outros e com a natureza como mãe criadora. Creio também que há muito a explorar além da racionalidade que nos é conhecida, há mais para além disso e esse tipo de transcendência já senti várias vezes, coisas fora e dentro de mim às quais não consigo aceder usando apenas a razão. E o silêncio, este silêncio do seu poema é-me tão necessário.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Partilho desse seu pensamento.
      Muito me agrada a ideia original para a criação deste blog, ser um espaço de tipo tertúlia. Assim, estes comentários são o valor do pensamento.
      Obrigado
      Um abraço.

      Eliminar
  6. Não há mal nenhum em inventar um Deus dentro de nós, o pior é quando se inventam outras coisas em nome de Deus. Que eu saiba, e se Ele existe, não passou procuração a ninguém.
    Gostei do poema, é magnífico.
    Boa semana e uma Páscoa Feliz.
    Um abraço.

    ResponderEliminar
  7. Sempre que o homem sonha a obra nasce.
    Abraço de amizade.
    Juvenal Nunes

    ResponderEliminar
  8. Boa tarde Caro Poeta/Pintor
    O poema constrói um diálogo íntimo e paradoxal com o divino, onde a consciência se dissolve para dar lugar a uma escuta interior mais profunda.
    Há uma beleza particular nas imagens inesperadas, “lavrar a terra com a língua” ou “encontrar luz dentro de uma laranja”, que sugerem que o sagrado habita no quotidiano e no sensorial.
    O fecho é especialmente feliz, invertendo a relação entre criador e criatura, e deixando no leitor uma reflexão subtil sobre a origem do divino: talvez Deus exista precisamente porque o sentimos dentro de nós.
    Boa semana com saúde e paz.
    :)
    https://olharemtonsdemaresia.blogspot.com/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Precisamos de encontrar o divino dentro de nós, encontrar a espiritualidade.
      O seu comentário é, deveras, esclarecedor.
      Muito Obrigado.
      Um abraço.

      Eliminar