Pela minha vida fora 
sobram paisagens 
de cada casa que abandono
deixo ficar
o céu 
o chão 
as árvores 
os sons
esqueço o caminho 
e tenho a certeza
de que não voltarei

alguém me diga onde é 
a minha próxima morada
e que paisagem terei. 


 


26 comentários:

  1. Para quê esse afã em saber da próxima se esqueceu todas as anteriores? Bom, talvez seja por essa mesma razão, estará sem paisagem e o futuro é que é.

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  2. Não temos a certeza de nada... tudo é uma incógnita....já que tudo pode mudar numa fracção de segundo...
    Beijos e abraços
    Marta

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  3. A sua casa é o corpo que habita vá para onde for. Também é a sua poesia que ocupa parte substancial desse corpo. É assim livre, pode ir para onde quiser.

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  4. Eu dizer-te? Não sou vidente e como tal não digo nada!
    Beijos e um bom dia!

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  5. Busca identidade e pertença, perdido entre lugares?

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  6. A próxima morada será encontrada onde menos espera. E será do seu agrado.
    Tudo de bom.
    Um beijo.

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    1. Louvo a sua sugestão. Seria uma boa ideia.
      Obrigado.
      Um abraço.

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  7. Um poema simples e tocante sobre partidas e caminhos que se deixam para trás.
    Gostei especialmente da forma como as paisagens ficam enquanto o viajante segue adiante, à procura da próxima morada.
    ....

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  8. Boa noite Caro Poeta/Pintor
    Este poema transmite de forma muito delicada a sensação de transitoriedade da vida.
    A cada casa abandonada ficam as paisagens, o céu, o chão, as árvores, os sons, como se o mundo permanecesse intacto enquanto o sujeito poético segue o seu caminho.
    Há uma beleza melancólica nessa certeza de não voltar e, ao mesmo tempo, uma inquietação profunda no verso final, quando surge a pergunta sobre a próxima morada.
    O poema deixa no leitor a impressão de alguém em permanente travessia, entre memórias que ficam para trás e um futuro ainda por desenhar.
    Um bom trabalho poético, como já nos habituou.
    Boa semana com saúde e emergia.
    :)

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    1. De muitos lugares fiz minha casa. Apreciei deveras a sua análise, como sempre meticulosa e esclarecida. O autor relê o que deixou escrito.
      Um abraço.

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  9. Tens meu teto ao teu dispor...
    quanto a paisagem diz a que quiseres,
    através do teu traço e cor,
    que eu ta mostrarei, pois tal mereces

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    1. Tudo que tenha tecto... é um abrigo não só do corpo mas o espírito também precisa de recolhimento.
      Agradeço penhorado a tua disponibilidade.

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  10. Pudessemos nós mudar com a facilidade com que, eventualmente, mudamos de cenário.
    Abraço de amizade.
    Juvenal Nunes

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    1. Ainda não é permitido aos humanos de boa fé mas... há quem esteja a mudar a paisagem do mundo implacávelmente.
      Um abraço.

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  11. This is beautifully written—so quiet and reflective. The imagery feels almost like walking through memories that were once homes, now gently left behind. I especially love the line “the sky / the floor / the trees / the sounds”; it creates such a calm, lingering feeling. There’s a soft sadness in it, but also a sense of acceptance. Truly a touching piece. 🌿✨

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  12. que texto profundo! gostei muito....abraços!

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    1. Saúdo a sua vinda e agradeço o seu simpático comentário.
      Um abraço.

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  13. a próxima morada é sempre aquela onde paramos após o nosso caminhar...
    Grande Abraço

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