Foto do autor do texto tomada do documentário VIDA SELVAGEM 




Escuto a roda dentada do tempo
encontro-me dente a dente dentro da noite
um pêndulo no seu vai-e-vem expulsa-me do dia
e ali fico a ouvir os nomes dos que perdi
até ser de novo dia
                        de novo noite
até a luz caber toda no poema
dedicado aos que percorrem a Via-Sacra.



 

20 comentários:

  1. Esse poema carrega uma melancolia profunda, quase mecânica, sobre a inevitabilidade do tempo e o peso da memória. A imagem da "roda dentada" sugere que o tempo não apenas passa, mas nos tritura e nos engrena no seu movimento incessante.

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    1. Este vício de poeta "o sentimento trágico da vida" como disse Unamuno.

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  2. O tempo não para, continua a rodar e afasta-nos da rota...e rasga-nos as memórias e os desejos...
    Beijos e abraços
    Marta

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    1. Como a expressão do escritor Fernando Silvan "O tempo teimoso" que sempre sai vencedor das nossas teimas.
      Um abraço.

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  3. E não seremos todos peregrinos em via sacra.? A sacralidade é que difere, mas continua a parecer-me uma via sacra.

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    1. É verdade. Estamos num momento da nossa vida social em que aumentaram os caminhantes em via sacra.
      Um abraço.

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  4. A via sacra começa a ser o "desporto favorito" em todo o mundo.
    Boa semana caro Luís.
    Um abraço.

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    1. Sim, é o que parece que nos está reservado.
      Boa semana.
      Um abraço.

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  5. Cum caneco, está visto que não comeste o ovo da Páscoa que poema tão triste! Desculpa mas já me conheces!
    Beijos e um bom dia!

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  6. E já dizia Unamuno :“Aumenta a porta, meu Pai,
    para que eu possa passar!"...
    ... e a via-sacra se tornar mais leve , L
    Abraço e semana boa pra Ti

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    1. ... "voltar à idade
      em que viver era sonhar"
      Grande Unamuno.
      A via sacra está a fazer sangrar os povos.
      Um abraço.

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  7. obrigado por essa excelente frase que inseriu no comentário anterior: "A via sacra está a fazer sangrar os povos."
    já o poema, estou totalmente de acordo, este tempo amassa-nos na sua roda dentada
    Um abraço

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    1. Está a haver muito sofrimento e mais haverá ainda até o homem se conseguir libertar do outro homem que o oprime e o explora.
      O tempo será longo.
      Um abraço.

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  8. Caro Poeta/Pintor
    Este poema constrói-se a partir de uma forte imagética mecânica e temporal (“roda dentada do tempo”, “pêndulo”), que materializa o abstracto e confere ao sujeito poético uma sensação de aprisionamento cíclico.
    A estrutura livre, sem pontuação rígida, favorece um fluxo contínuo que ecoa o movimento repetitivo sugerido pelo conteúdo.
    A alternância entre “dia” e “noite” funciona como eixo rítmico e simbólico, acentuando a tensão entre presença e ausência, luz e sombra. Destaca-se também a dimensão elegíaca do texto, sobretudo na evocação “dos que perdi”, que ganha um sentido quase ritual na referência final à “Via-Sacra”, ampliando o poema para um campo simbólico de dor, memória e transcendência.
    A linguagem depurada e a economia de recursos reforçam a intensidade do seu núcleo emocional.
    Boa semana
    :)

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    1. O tempo é um ditador que nunca nos liberta das grilhetas. Apreciei o seu comentário sempre tão profundo e completo.
      Um abraço.

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  9. Um poema de atmosfera densa e introspectiva, onde o tempo surge como mecanismo implacável e quase físico. A repetição entre dia e noite cria um ritmo circular que reforça a ideia de perda e memória, culminando numa luz que se concentra na própria linguagem poética....

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    1. A sucessão dos dias e das noites até ao final da sucessão dos dias e das noites. O tempo implacável.

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  10. Boa tarde Poeta,
    Um poema poema que reflete sobre a passagem inevitável do tempo e o impacto das perdas durante a vida. Através de imagens como a “roda dentada” e o “pêndulo”, transmite-se a ideia de um tempo cíclico e opressivo, que alterna continuamente entre dia e noite. A noite surge como espaço de memória e dor, onde se recordam os que já partiram. Ao mesmo tempo, o poema sugere que a escrita pode dar sentido a essa experiência, funcionando como um lugar onde a “luz” — isto é, a compreensão ou esperança — pode ser alcançada. A referência à Via-Sacra reforça a ideia da vida como um percurso de sofrimento e resistência.
    Um poema muito belo e profundo.
    Beijinhos,
    Emília

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    1. O tempo nunca nos abandona e está sempre a lembrar-nos que nos têm "debaixo d'olho".
      Um abraço.

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