Foto de Daniel Filipe Rodrigues


Soube por mim próprio 
de que doença padecia
e que longo este tempo da doença 
doença que me parecia mais saudável 
do que a saúde dos outros
cuja doença é não estarem doentes

sou órfão desde que nasci
e fiquei órfão várias vezes pela vida fora
conformei-me com a herança 
um segredo 
que me manteve pobre
com ele 
já morreram dois inocentes
que o herdaram dos mesmos pais

dai-me uma razão e eu sobreviverei. 


 


4 comentários:

  1. O poema é um dos mais introspectivos do poeta, lidando com a sensação de isolamento social e familiar, e o peso de uma tristeza que parece anterior ao próprio nascimento.
    A fotografia do primogénito é como sempre uma maravilha.

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  2. Parece-me que a grande e única razão é o milagre de estarmos vivos.
    Bom Dia

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  3. Por vezes, não sabemos como estamos vivos, como sobrevivemos ao deserto em que o Mundo mergulha... A dor é profunda, mas encontramos uma forma de continuar a caminhar...
    Beijos e abraços
    Marta

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  4. Dou-te várias razões...viver um dia de cada vez, enfrentar e aceitar o envelhecimento porque não tens, nem eu tenho o travão de parar! Já disse aos meus que se me der o fanico deixai-me partir porque não quero sofrer mais! Percebeste? As dores são tramadas e também as tenho mas controlo com medicamentos e não me venham com tretas das mezinhas!
    Beijos e abraços!

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