Foto de Ana Luís Rodrigues



Poema do fim de tarde 


Concebo-te 

com o sabor de um fruto exótico 

como me sugere 

esta luz de fim de tarde. 


Fim de tarde quase perfeito 

como se essa perfeição pudesse 

anular as marcas na minha memória 

desse sabor exótico. 


Fim de tarde quase perfeito 

como se essa perfeição pudesse 

anular o pânico 

do limitado uso do meu corpo. 


Fim de tarde quase perfeito 

apesar das marcas 

apesar do pânico

que acalma a rebelião contra o imobilismo.


Que preço tem deixar morrer a poesia? 

Por isso continuo a conceber-te 

com o sabor de um fruto exótico 

no fim de tarde.



 

22 comentários:

  1. Pendant bem conseguido, a foto é inspiradora e o texto é profundo.
    Falta completar para fazer um trio, o tema "Estrela da Tarde", pelo qual tenho uma paixão assolapada.

    Tudo de bom
    (^^)

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  2. Fim de tarde e a teimosia da paixão renova-se.
    e fica tudo 'quase perfeito'
    A poesia concebida tem sabores exóticos como um fim de tarde merece.
    Gosto muito!

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    1. Obrigado pela sua visita e pelo comentário. Fico contente por a publicação ser do seu agrado.
      Boa Noite.

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  3. A “negatividade” da sua poesia tem diminuído nos últimos poemas.
    “Poema do fim de tarde” tem o sabor de um fruto exótico.

    Na fotografia vejo personagens em busca de autor.

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    1. São dias, uns mais positivos, outros não. Na imagem encontram-se desconhecidos.

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    2. Encontrei na „negatividade“ da poesia do poeta a mesma „negatividade“ na poesia de Paul Celan.
      Confesso que os últimos poemas também foram muito por mim apreciados.

      Compreendi que as personagens à procura de autor, eram desconhecidos da fotógrafa.

      Dia feliz, comendo frutas vermelhas e exóticas.

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    3. Sou sensível à comparação que faz com Paul Celan, receio até tropeçar num momento de vaidade.
      Eu sabia da sua compreensão sobre quem eram as personagens mas, achei que ficava bem dizer "encontram-se desconhecidos".
      Dia feliz também para si.

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  4. Gostei do poder do início do poema
    Abrangente

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  5. Espelho-me inteira neste seu Poema do Fim de Tarde, L.

    Que preço tem deixar morrer a poesia? Não há preço para ela... nem a garantia da ausência de dor física. Nada, absolutamente nada a não ser a minha crescente incapacidade visual e motora e a morte, essa que para todos nós virá, me fariam deixar morrer a poesia.

    Forte abraço!

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    1. Não tem preço deixar morrer a poesia como não tem preço deixá-la sobreviver. Para nós, o preço, é continuar a viver à sua custa.
      Um abraço.

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  6. A fotografia captada ao fim da tarde, faz uma união (quase perfeita) com o "Poema do fim de Tarde".
    Pode orgulhar-se o autor pela concepção do que concebeu...(sim, há aqui pleonasmo, mas propositado)
    Em minha opinião, o 'quase' impeditivo da total perfeição, não está no poema perfeito, e sim, no senão desses vultos que roubaram todo o protagonismo ao Mar e ao Sol e aos belos reflexos prateados...que pena!

    Bom dia!
    Ah...e que nunca se deixe morrer a Poesia, o preço a pagar seria demasiado alto e doloroso.
    VIVA A POESIA!

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    1. Agradeço a simpatia das suas palavras e estou muito de acordo consigo quanto à imagem mas, ainda assim, achei que valia a pena publicar esta com estes "desconhecidos" que também celebram o fim de tarde.
      Apoio o seu VIVA.
      Obrigado, Bom Dia.

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    2. Claro que valeu a pena, TUDO vale sempre a pena.
      Não pretendi, de modo algum, tirar o mérito à fotógrafa, longe de mim. Como deve calcular manifestei somente a minha discutível opinião. Provavelmente haverá quem considere os vultos desses «desconhecidos», uma mais-valia. Isso se a pretensão fosse a celebração do fim da tarde, talvez.
      Desculpe se continuo a melindar a sua susceptibilidade, mas não é, nem nunca foi, essa a minha intenção.
      Apenas comentar com honestidade e sinceridade.

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  7. Continue, concebendo poesia !
    Sem ela, esse fim da tarde, era somente, uma bela fotografia.

    Um abraço.

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  8. Sabes que la perfección no existe y de ahí que te expreses repitiendo en varias ocasiones la expresión "casi perfecta"

    Besos

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    1. Muy bien observado al leer el texto. Agradezco la atención con la que lees mis publicaciones. Un abrazo.

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  9. Gosto da fotografia. Gosto do poema. Não sei o preço que tem deixar morrer a poesia. Talvez seja comparável ao preço de deixar de ver os sol. Afinal um dá vida e aquece o corpo a outra alimenta a alma.
    Abraço e saúde

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    1. Obrigado pelo comentário, gostei da forma como valorizou a poesia.
      É compensador que tenha gostado da publicação.
      Saúde e um abraço.

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