Foto de Daniel Filipe Rodrigues



Gosto das cidades nocturnas
gosto das cidades diurnas
gosto das cidades
gosto das cidades que cabem dentro da minha aldeia
tal como
gosto de ti à noite 
gosto de ti de dia
gosto de ti
gosto de ti quando cabes dentro de mim. 


 


12 comentários:

  1. Este poema dirige-se às cidades e aos amores com uma cadência de réplica afectiva: o eu que se entrega aos ritmos da cidade, tanto à noite quanto ao dia, e que também se reconhece no dentro de si, na intimidade que cabe na aldeia e no corpo do outro. Há um dueto temporal que confere à urbe uma dupla face, onde o segredo da noite pode abrir caminhos de desejo e a claridade do dia revela a transparência das emoções. A cidade não é apenas espaço exterior; é extensão do eu, um mapa que se reduz para caber num lugar de origem. tal como: a conjunção sugere comparação e aproximação entre o externo e o interno, entre o mundo que se vê e o mundo que se sente. A repetição enfatiza uma fidelidade afectiva que não se rende ao momento, mas permanece constante, seja sob o luar, seja sob o sol. O clímax do poema revela a fusão física e emocional, a intimidade que ultrapassa o espaço e transforma o corpo do outro num território meu. Em síntese, o poema equilibra uma devoção às cidades — tanto a cidade que se observa quanto a que se recebe — com uma ternura de vínculo que se faz corpo e casa. A linguagem é directa, quase minimalista, mas repleta de uma musicalidade suave pela repetição e pela progressão dos sujeitos: da cidade ao amor, do externo ao interno, do Eu ao Nós.

    Excedi-me no meu comentário porque também eu amo as cidades que cabem dentro da aldeia do Düssel.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Maravilhoso comentário. Como sempre, leio várias vezes e admiro-me como é possível dizer tanto sobre tão curtas linhas de escrita. Isto também justifica a continuação do meu labor.

      Eliminar
  2. O dia e a noite completam-se...dando novas perspectivas ao que se sente e vive...
    Euforia, amor, vontade pura de viver intensamente...
    Beijos e abraços
    Marta

    ResponderEliminar
  3. Nunca gostei da noite e da escuridão e adorava a minha terra onde tudo brilhava até na escuridão do meu eu! Felizmente tive a sorte de
    vir parar numa aldeia hoje Vila que se foi degradando com o tempo graças ao betão!
    Agora fora do poema e antes que eu morra digo-te que gosto de ti:))
    Beijos e um bom dia!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Agradeço a dedicação e a expressão do afecto. Será que a poesia pode alguma coisa entre os seres humanos?
      Bom dia, um abraço.

      Eliminar
  4. Também gosto.
    Acima de tudo gosto de gostar.
    Bonito poema que em poucas linhas diz muito.
    Um abraço e bom fim de semana.
    https://rabiscosdestorias.blogspot.com

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Além de sermos gostados precisamos muito de gostar.
      Bom fim de semana.
      Um abraço.

      Eliminar
  5. Fez-me lembrar uma agenda que apreciava muito muito chamada: gosto de ti todos os dias. Costumava pedi-la pelo Natal. Agora não tenho a agenda mas acho que gosto mais de mim:)

    ResponderEliminar
  6. eu gosto de gostar.
    é melhor e não tráz desilusão...

    ResponderEliminar