Imagem de ChatGPT 



“Que utilizar senão palavras, 
para destruir o falso prestígio 
das palavras?”  

René Huyghe
em Diálogo com o Visível 

 



Um homem está sentado à mesa de uma sombria taberna
sobre o tampo de mármore um pão e um copo de vinho
um corvo atravessa por debaixo da mesa e grasna
para o homem que suporta a cabeça na mão esquerda
com o cotovelo sobre o mármore frio
o homem esqueceu a sua família e o seu próprio nome
ele acha que é difícil ser pessoa
naquele dia opaco o Sol lançou-se através das nuvens
contra um vidro da taberna e quebrou as trevas
um raio brilhante iluminou o pão e o vinho sobre a mesa
o homem com emoção teve a certeza de que Deus
sabia o seu nome. 


 


 

16 comentários:

  1. Beleza no dialogo com o visível.
    Um homem perdido encontra sentido ao recordar que Deus sabe quem é.
    O corvo simboliza angústia; a luz do raio rompe a escuridão e revela o pão, o vinho e a identidade esquecida.
    Final tranquilizador: o divino reconhece-o.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O homem reconhece-se a si próprio embora já não saiba quem é.

      Eliminar
  2. Deus sabe o nosso nome...mesmo que os outros o esqueçam...a luz atravessa as trevas... e o sentido volta a encontrar-se...
    Beijos e abraços
    Marta

    ResponderEliminar
  3. Deus desce com sabedoria por um raio de sol. Tanto foi esquecido, mas num raio de sol veio uma certeza. Talvez ele procure a sombra de novo, na penumbra, o sol encandeia:)

    ResponderEliminar
  4. Diálogo intimista, em que a fraqueza do ser encontra a sua melhor
    expressão. Se Deus nos reconhece e sabe o nosso nome, então,
    ainda poderemos crer em dias melhores.
    Um abraço
    Olinda

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Nós ainda não sabemos ao certo o nome Dele e se Ele existe.
      Um abraço.

      Eliminar
  5. Bom dia
    Depois de ler o poema, e dos comentários, só me resta dizer:
    Soberbo, parabéns !

    JR

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sempre simpáticos os seus comentários... são um alento para o autor.
      Obrigado.
      Um abraço.

      Eliminar
  6. Boa tarde Caro Poeta/Pintor
    O poema constrói uma cena de grande sobriedade e densidade simbólica, onde o quotidiano mais cru se cruza com uma súbita epifania. O pão e o vinho, iluminados pelo rasgo de luz, tornam-se mais do que objectos: são sinais de reconhecimento e de pertença.
    No esquecimento de si e do mundo, o homem reencontra-se num instante simples, quase místico, onde sentir que Deus sabe o seu nome é, afinal, voltar a existir.
    A imagem embora seja de IA está em sintonia com o poema.
    Belo trabalho poético.
    Boa semana com saúde.
    :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Perfeita a sua interpretação. O homem na sua solidão sentiu-se acompanhado.
      Um abraço.

      Eliminar
  7. Entre a sombra da taberna e o clarão inesperado, o poema fala da solidão humana e da necessidade profunda de ser visto.
    O corvo, o mármore frio, o esquecimento do nome contrastam com a luz que incide sobre o pão e o vinho, num gesto silencioso de salvação.
    Um poema que sugere que, mesmo nos dias opacos, basta um instante para quebrar as trevas...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Teremos instantes de esperança até à falta desse instante que ... será um dia.

      Eliminar
  8. Deus sabe o nome de todos nós
    apenas se esqueceu
    do seu
    E o homem come-lhe o corpo e delicia-se com o seu sangue, perante a cumplicidade de um voo e de um grasnar...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O homem inventou Deus e todos os dias se inventa a si próprio.

      Eliminar