Imagem antiga de proveniência desconhecida
No tempo em que tudo era possívelnós não sabíamosdormíamos no calor um do outroe nenhum temia o acordarhoje há uma estranha tranquilidadeque se instalouna minha noiteno meu diana minha vida
acordo entre ruínas.

O poema carrega a melancolia de quem reconhece a perda da inocência e a chegada de uma solidão que, embora calma, é desoladora. Ele evoca fortemente o estilo introspectivo de autores como Fernando Pessoa ou a densidade emocional de Eugénio de Andrade.
ResponderEliminarA imagem retrata as ruínas emocionais do poeta com absoluta precisão.
Ruínas, é o que nos está reservado... mesmo que não pensemos nisso.
EliminarQue ruínas é que está a falar?
EliminarA principal diferença entre ruínas emocionais e físicas reside na visibilidade e na natureza da reconstrução. Enquanto uma ruína física é um rasto material de algo que desmoronou no corpo, a ruína emocional é uma fragmentação interna da psique.
Ruínas, tudo o que se desmorona dentro de nós e em redor de nós, está tudo ligado. Já não temos tempo para a reconstrução
EliminarO crepúsculo povoado de memórias, às vezes, em ruínas... sem possibilidade de renovação.
ResponderEliminarBeijos e abraços
Marta
Essa é uma particularidade interessante. As nossas ruínas não têm possibilidade de renovação.
EliminarUm abraço.
Todos teremos o nosso dia D com ruínas ou não e há que viver em pleno um dia de cada vez!
ResponderEliminarEstou de acordo.
EliminarUm abraço.
Um poema breve e intenso que contrasta a inocência luminosa do passado com a lucidez silenciosa do presente.
ResponderEliminarA simplicidade dos versos amplifica a força da imagem final, acordar entre ruínas ,deixando no leitor um eco de perda serena e inevitável...
A tomada de consciência poderá ser dolorosa.
EliminarEstamos num futuro incerto!
ResponderEliminarCoisas de uma vida .
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Beijos. Bom Domingo. E uma boa semana.
Nem sequer sabemos se há futuro.
EliminarUm abraço.
Até as ruínas se reconstroem, mas nunca o edifício nunca fica o mesmo que era. Força!
ResponderEliminarÉ assim mesmo, as fundações também são atingidas.
EliminarMuito Obrigado.
Um abraço.
Caro Poeta/Pintor
ResponderEliminarEste poema constrói-se num contraste subtil entre dois tempos emocionais: o da plenitude inconsciente e o da consciência tardia.
No passado, “tudo era possível” não por garantias reais, mas pela ausência de medo.
Dormia-se no calor do outro como quem habita um mundo intacto, onde o acordar não trazia ameaça.
No presente, porém, instala-se uma “estranha tranquilidade” , expressão belíssima, porque sugere não a paz, mas uma aceitação quase resignada. A repetição cadenciada, “na minha noite / no meu dia / na minha vida” amplia essa sensação de ocupação total, como se a mudança tivesse colonizado todos os espaços do ser.
E então o último verso rasga o silêncio: “acordo entre ruínas.” A imagem é poderosa porque não descreve o desmoronar, apenas o depois. O poema termina onde a consciência começa.
E é nesse despertar que reside a sua maior força.
Continuação de Bom Domingo ou o que resta dele, e uma semana abençoada…
:)
O seu comentário é muito esclarecido e com uma explicação muito bem ordenada. Eu, ou seja, o autor, lê com gosto e examina o que deixou escrito. É sempre um gosto ter as análises das/dos suas/seus leitoras/leitores.
EliminarMuito Obrigado.
Um abraço.
Somos ruínas do que fomos, mas ainda somos. E também se aprende a vida entre ruínas. Faz parte do caminho que tem vezes de ser solar e outras nem tanto. Mas o sol está sempre lá, ainda que o não vejamos e isso é uma esperança e uma curiosidade. Apesar da meteorologia, nunca sabemos o dia em que nos visita.
ResponderEliminarNão são só as ruínas dentro de nós. Neste nosso mundo há, cada vez mais, lugares em ruínas.
EliminarUm abraço.
As ruinas são inevitáveis e há que estar preparado para "estranhas tranquilidades"...
ResponderEliminarBoa semana.
Um abraço.
Nunca estamos prevenidos, o desmoronamento é silencioso.
EliminarBoa semana.
Um abraço.