Imagem antiga de proveniência desconhecida


No tempo em que tudo era possível
nós não sabíamos
dormíamos no calor um do outro
e nenhum temia o acordar

hoje há uma estranha tranquilidade 
que se instalou 
na minha noite
no meu dia
na minha vida 
acordo entre ruínas. 
 


 


20 comentários:

  1. O poema carrega a melancolia de quem reconhece a perda da inocência e a chegada de uma solidão que, embora calma, é desoladora. Ele evoca fortemente o estilo introspectivo de autores como Fernando Pessoa ou a densidade emocional de Eugénio de Andrade.
    A imagem retrata as ruínas emocionais do poeta com absoluta precisão.

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    1. Ruínas, é o que nos está reservado... mesmo que não pensemos nisso.

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    2. Que ruínas é que está a falar?
      A principal diferença entre ruínas emocionais e físicas reside na visibilidade e na natureza da reconstrução. Enquanto uma ruína física é um rasto material de algo que desmoronou no corpo, a ruína emocional é uma fragmentação interna da psique.

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    3. Ruínas, tudo o que se desmorona dentro de nós e em redor de nós, está tudo ligado. Já não temos tempo para a reconstrução

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  2. O crepúsculo povoado de memórias, às vezes, em ruínas... sem possibilidade de renovação.
    Beijos e abraços
    Marta

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    1. Essa é uma particularidade interessante. As nossas ruínas não têm possibilidade de renovação.
      Um abraço.

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  3. Todos teremos o nosso dia D com ruínas ou não e há que viver em pleno um dia de cada vez!

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  4. Um poema breve e intenso que contrasta a inocência luminosa do passado com a lucidez silenciosa do presente.
    A simplicidade dos versos amplifica a força da imagem final, acordar entre ruínas ,deixando no leitor um eco de perda serena e inevitável...

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  5. Estamos num futuro incerto!
    Coisas de uma vida .
    -
    Beijos. Bom Domingo. E uma boa semana.

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  6. Até as ruínas se reconstroem, mas nunca o edifício nunca fica o mesmo que era. Força!

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    1. É assim mesmo, as fundações também são atingidas.
      Muito Obrigado.
      Um abraço.

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  7. Caro Poeta/Pintor
    Este poema constrói-se num contraste subtil entre dois tempos emocionais: o da plenitude inconsciente e o da consciência tardia.
    No passado, “tudo era possível” não por garantias reais, mas pela ausência de medo.
    Dormia-se no calor do outro como quem habita um mundo intacto, onde o acordar não trazia ameaça.
    No presente, porém, instala-se uma “estranha tranquilidade” , expressão belíssima, porque sugere não a paz, mas uma aceitação quase resignada. A repetição cadenciada, “na minha noite / no meu dia / na minha vida” amplia essa sensação de ocupação total, como se a mudança tivesse colonizado todos os espaços do ser.
    E então o último verso rasga o silêncio: “acordo entre ruínas.” A imagem é poderosa porque não descreve o desmoronar, apenas o depois. O poema termina onde a consciência começa.
    E é nesse despertar que reside a sua maior força.
    Continuação de Bom Domingo ou o que resta dele, e uma semana abençoada…
    :)

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    1. O seu comentário é muito esclarecido e com uma explicação muito bem ordenada. Eu, ou seja, o autor, lê com gosto e examina o que deixou escrito. É sempre um gosto ter as análises das/dos suas/seus leitoras/leitores.
      Muito Obrigado.
      Um abraço.

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  8. Somos ruínas do que fomos, mas ainda somos. E também se aprende a vida entre ruínas. Faz parte do caminho que tem vezes de ser solar e outras nem tanto. Mas o sol está sempre lá, ainda que o não vejamos e isso é uma esperança e uma curiosidade. Apesar da meteorologia, nunca sabemos o dia em que nos visita.

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    1. Não são só as ruínas dentro de nós. Neste nosso mundo há, cada vez mais, lugares em ruínas.
      Um abraço.

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  9. As ruinas são inevitáveis e há que estar preparado para "estranhas tranquilidades"...
    Boa semana.
    Um abraço.

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    1. Nunca estamos prevenidos, o desmoronamento é silencioso.
      Boa semana.
      Um abraço.

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