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Desvisto-te como a uma tangerina
daquelas em que a casca
se solta do corpo com leveza
depois tomo-te
gomo a gomo
boca a boca
e provo o sabor ácido do teu segredo. 




28 comentários:

  1. É um convite à lentidão e à descoberta minuciosa.

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    1. Embora tecnicamente seja um pleonasmo (já que toda a surpresa é, por natureza, inesperada), a expressão é usada para enfatizar “o sabor ácido do teu segredo”.

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  2. Desvendar os segredos...lentamente... sem ideias formadas...
    Beijos e abraços
    Marta

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  3. Felizes os que distinguem sabores e podem fazê-lo.

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    1. Que bela forma de desvendar um sabor, ainda que ácido, L.

      Como ainda não sei se vou ter tempo e forças para visitar os amigos de sempre, aproveito para deixar aqui o endereço do meu novo blog https://apautainvisivel.blogspot.com/

      Um forte abraço

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  4. Interessante !
    que tal agridoce ? segredos costumam ter um quê de mistério ,
    e não ser totalmente ácido...como essa tangerina apetitosa.
    beijinho L . Boa semana

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  5. A degustação faz parte da vida...
    Boa semana.
    Um abraço.

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    1. "Pela boca morre o peixe" como diz o ditado popular.
      Boa semana.
      Um abraço.

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  6. um segredo ácido ou a acidez do segredo?
    será a mesma coisa?
    é preciso desvendar o segredo, mas nunca tingi-lo com a nossa cor.
    Um Abraço

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    1. Parece-me a mesma coisa. Há segredos ácidos e inbebíveis.
      Um abraço.

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  7. Cada um tem suas coisas. Eu preferia mesmo, mesmo, a tangerina. Essa da foto. Ou igual. Ou até parecida.

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  8. Bom dia Poeta,
    Segredo que se tornará doce!
    Belíssimo poema.
    Beijinhos,
    Emília
    (Não me tem visitado;)).

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    1. Se a seguir à acidez vier a doçura então valerá a pena.
      Um abraço m

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  9. Tangerina apetitosa. Dá mesmo gosto comê-la gomo a gomo.
    E as palavras que acompanham a imagem muito sugestivas.
    Um abraço.
    Olinda

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  10. Cuidado porque podes ter uma desilusão inesperada e pimba!
    Beijos e um bom dia!

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    1. Pois aí é que bate o ponto, como se costuma dizer.
      Um abraço.

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  11. Caro Poeta/Pintor
    O poema constrói-se a partir de uma metáfora central muito eficaz ,o desvelar do outro comparado ao acto de descascar uma tangerina, que convoca simultaneamente o tacto, o paladar e a intimidade.
    A escolha do verbo inicial, “Desvisto-te”, (palavra pouco usada) estabelece desde logo um tom de proximidade física e emocional, que é suavizado pela leveza da imagem seguinte: “daquelas em que a casca / se solta do corpo com leveza”. Aqui, há uma harmonia entre corpo e fruto que evita qualquer brusquidão, privilegiando a fluidez.
    A estrutura fragmentada, com versos curtos: “depois tomo-te / gomo a gomo / boca a boca”, cria um ritmo pausado e quase ritualístico, reforçando a ideia de entrega progressiva. Esta cadência contribui para intensificar a carga sensorial e afectiva do poema.
    O verso final : “e provo o sabor ácido do teu segredo” introduz uma subtil inflexão: o “ácido” quebra a expectativa de doçura, sugerindo complexidade emocional, talvez ambiguidade ou dor latente. É precisamente esse contraste que eleva o poema, afastando-o de uma leitura meramente erótica e aproximando-o de uma dimensão mais simbólica e interpretativa.
    No conjunto, trata-se de um texto breve, mas coeso, onde a economia de palavras joga a favor da intensidade e da sugestão.
    A foto embora da IA está muito bem para suporte do poema.
    Boa semana com muita saúde e inspiração.
    Abraço
    :)

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    1. Admirei o seu comentário, a sua interpretação muito precisa com referência ao pormenor da palavra "ácido" que, também intencionalmente dá o tom de surpresa ao momento que se adivinhava doce e terno.
      Obrigado. Boa semana também para si.
      Um abraço.

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  12. Um poema curto, mas intensamente sensorial, onde o gesto íntimo se funde com a metáfora da tangerina, criando uma delicadeza quase táctil.
    A progressão “gomo a gomo” conduz o leitor por um desvelar lento e cúmplice, culminando num final ácido que surpreende e fica a ecoar...

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