Foto de Folha de Pernambuco
As pequenas tartarugasa correrem para o marum elevador cansadoa gritar com o esforço da subidaos operários com as mãos inchadasa abrirem as marmitasum banco de jardim a envelhecerjá morreu de um ladocamisas num estendala agitarem-se de braços abertosa mulher perante o olhar do homema dizer que lhe dói a cabeçao pastor a doirar as suas ovelhasao sol que é de todosuma figura de Cristo mais pequenaque o real e com faltas de tintamulheres a rezaremcom lágrimas em vez de palavraso escritor escondido sob um ror de papéisa corrigir o que lia noutro ror de papéisum grupo de homens vestidos de árvoresem volta de um mapa sem conclusõeseu que sou como que um apátridacomo que um furriel da carreira da vidafico-me a ver o mundo da minha janelauma bola de fogo ao longedepois um enorme cogumelo de fumoe percebo que o mundo ainda está vivo.

O poema retrata cenas diárias, humanas e trabalhadas, com um tom melancólico e observador. Vê-se esforço, dor, fé, rotina e a percepção de um mundo vivo e ainda resistindo, mesmo ante dificuldades. A voz do eu lírico é de alguém marginalizado (apatrídea, furriel) que observa pela janela o que acontece ao redor, tentando encontrar sentido na vida.
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