Foto de Folha de Pernambuco
As pequenas tartarugasa correrem para o marum elevador cansadoa gritar com o esforço da subidaos operários com as mãos inchadasa abrirem as marmitasum banco de jardim a envelhecerjá morreu de um ladocamisas num estendala agitarem-se de braços abertosa mulher perante o olhar do homema dizer que lhe dói a cabeçao pastor a doirar as suas ovelhasao sol que é de todosuma figura de Cristo mais pequenaque o real e com faltas de tintamulheres a rezaremcom lágrimas em vez de palavraso escritor escondido sob um ror de papéisa corrigir o que lia noutro ror de papéisum grupo de homens vestidos de árvoresem volta de um mapa sem conclusõeseu que sou como que um apátridacomo que um furriel da carreira da vidafico-me a ver o mundo da minha janelauma bola de fogo ao longedepois um enorme cogumelo de fumoe percebo que o mundo ainda está vivo.

O poema retrata cenas diárias, humanas e trabalhadas, com um tom melancólico e observador. Vê-se esforço, dor, fé, rotina e a percepção de um mundo vivo e ainda resistindo, mesmo ante dificuldades. A voz do eu lírico é de alguém marginalizado (apatrídea, furriel) que observa pela janela o que acontece ao redor, tentando encontrar sentido na vida.
ResponderEliminarMuito esclarecido este seu comentário em que o final toca uma, minha, sensibilidade essencial. Perfeito.
EliminarEste teu poema tocou-me muito porque as guerras têm um começo e um fim com desgaste de destruição e mortos! Sei bem o que sofri e vi e não consigo esquecer até hoje! Depois de anos a história repete-se!
ResponderEliminarBeijos e um bom dia!
Valido muito este teu comentário e essa experiência. É por isso que temos de lembrar que a Paz não é um bem adquirido para sempre.
EliminarBom domingo.
Um abraço.
Nem sempre é fácil encontrar um sentido na vida... por vezes, continuamos a sentir-nos isolados ...
ResponderEliminarBeijos e abraços
Marta
Essa é uma verdade que alguns conhecem.
EliminarUm abraço.
O mundo está vivo, mas não aposto que se recomende, Nuvens.
ResponderEliminarEstá vivo mas em estado de coma.
EliminarBem reflexivo o poema _ como tudo é idêntico ! as mãos trabalhadas, as lágrimas as palavras a bola de fogo ao longe um banco no jardim a envelhecer ... perfeita coincidência L .perfeita ! e o mundo segue vivo. Maravilhoso seu poema.
ResponderEliminarGosto do seu estilo inconfundível . Um abraço
Muito simpático o seu comentário. Este é o nosso mundo.
EliminarUm abraço.
Ainda há vida para além das guerras.
ResponderEliminarDas janelas vê-se tudo.
Boa semana.
Abraço.
Estamos a assistir e o que vemos é preocupante.
EliminarUm abraço.
O mundo que dizes estar vivo
ResponderEliminareu diria que já é zumbi
Ainda não.
EliminarO mundo estará sempre vivo enquanto nós o defendermos desses miseráveis que o tentam matar.
ResponderEliminarUm Abraço
Pode demorar, mas esses miseráveis serão derrotados. É preciso compreender o fenómeno.
EliminarUm abraço.