Caverna Cueva de Las Manos, na Argentina. - Getty Images
A suposição ___ o enganode que o amor é um direito de todosassim como aquela frase justa que repetimoso sol é para todose o Sol sem que ele próprio ou quem o criousaiba que só aquece os que já não têm frio
o amorum desperdício de pulsaçõesdo coração a forçar as artériasàs vezes durante anose nós em silênciopara não perder os sons do outroque é ele verdadeiramente que pulsa em nóse que às vezes não pulsa nele própriomesmo que o seu coração funcione massem mensagenssem espantosem encantamentosem luze o amor ou a ausência dele a matar-noslentamenteternamentee nós a repetirmosa suposição ___ o engano
assusta-me não acreditar no amore ficar assimde mãos dadas comigo mesmo.

O desfecho expressa o medo existencial de perder a fé no amor.
ResponderEliminarFicar "de mãos dadas comigo mesmo" é a metáfora visual da solidão absoluta, onde o indivíduo se torna o seu próprio e único companheiro.
É assim que estão muitos.
EliminarA sua observação "é assim que estão muitos" reflete uma realidade contemporânea marcante.
EliminarDe acordo.
EliminarE então ... sou de brancas nuvens num céu de bonança, de puríssimo azul. Quero sim que o amor que tive, que tenho, que terei, desperdice as deliciosas pulsações em alegrias, inflando as artérias de contentamento porque amor é luz que não se extingue. Sou do amor, ignoro a dor. Estou guardada naquele que me libertou! Grande abraço!
ResponderEliminarSaúdo a sua vinda e este seu primeiro comentário.
EliminarApreciei a sua mensagem de boa disposição e de esperança.
Um abraço.
Medo de amar porquê? Pode haver desilusão, traição, dor... mas há sempre luz....algures...
ResponderEliminarBeijos e abraços
Marta
Há sempre uma ponta de medo no desconhecido.
EliminarUm abraço.
Boa tarde Caro Poeta/Pintor
ResponderEliminarEste poema tocou-me profundamente. Nele encontro um diálogo íntimo entre a esperança e a desilusão, como se o poeta fosse desfiando, verso após verso, a crença de que o amor é um direito universal, para nos confrontar com a dolorosa possibilidade de essa ser apenas "a suposição... o engano".
A imagem do Sol, que afinal só aquece quem já não tem frio, é de uma beleza inquietante e dá o tom a todo o poema: nem tudo o que julgamos pertencer a todos chega verdadeiramente a cada um. Depois, a forma como descreve o amor, ou a sua ausência, revela uma vulnerabilidade rara, feita de silêncio, espera e de um coração que continua a pulsar por alguém que talvez já tenha perdido a capacidade de se maravilhar.
Mas, para mim, o verso final é o mais comovente. Não fala apenas da solidão; fala da coragem de permanecer de mãos dadas consigo mesmo quando a fé no amor vacila. É um fecho de enorme intensidade poética, que deixa mais perguntas do que respostas, e talvez seja precisamente aí que reside a sua grandeza.
Obrigado por partilhar uma escrita tão honesta e tão rica em imagens. É um poema que dói, mas é precisamente dessa dor que nasce a sua beleza.
Tenha um dia abençoado com saúde e paz.
:)
Como sempre, os seus comentários sensibilizam-me porque descrevem, palavra a palavra, a mensagem que, por vezes, não é assim tão clara e explícita para o próprio autor que a escreve. Também ficam os meus desejos de saúde e paz.
EliminarE um abraço.
Admiro profundamente quem ama e compreendo quem não consegue ou não quer amar. Os primeiros pela entrega e pela generosidade, esse colocar o outro num lugar de admiração e num elo de confiança. Os segundos por assumirem estar de mão dada consigo próprios:)
ResponderEliminarNão há projectos realizáveis sem a matéria prima.
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ResponderEliminarHá poemas que não se limitam a ser lidos: ficam a ecoar dentro de nós. Este fala da fragilidade do amor com uma honestidade desarmante e deixa-nos a pensar que, por vezes, a maior dor é continuarmos a acreditar, mesmo quando tudo parece desmentir essa esperança. Muito belo, pela força das imagens e pela verdade que transporta.....
No insucesso, na impossibilidade, na frustração... também pode haver poesia.
EliminarPenso que entendo, Nuvens. Mas as palavras sem presença física não dizem, dizem mal e não são tão autónomas quanto se pensam (se pensassem). Portanto, só penso que entendo, o que é independente de entender.
ResponderEliminarContinuo a crer que só o amor pode salvar o mundo e os homens; daí o corolário: já duvido da salvação dos homens que não se salvam a si mesmos; o mundo, submetido às leis universais do cosmos suponho que vá continuar..
Não haja arrependimentos no que ao sentimento diga respeito. Erros por e de amor são abundantes. Se olharmos a vida desapaixonadamente, creio bem que serão comuns a nós todos. Amando mais e sobretudo melhor contribuíamos para a eternidade do efémero. E seria menos efémero. Mas é como diz Sophia "Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo/mal de te amar neste lugar de imperfeição/ onde tudo nos quebra e emudece/onde tudo nos mente e nos separa"
Apreciei o seu comentário que é, de facto, uma reflexão. O poema de Sofia diz tudo com mais substância e génio do que o escrito que nasceu do meu labor.
EliminarUm abraço.
Depois de muito tempo estou voltando e já o seguia e adorei novamente. O amor é um sentimento muito complexo que poucos o conseguem descrever e esse medo de amar é compreensível. O amor casa a maior parte das vezes com sofrimento. Foi uma viagem que gostei de fazer. Um beijinho e voltarei.
ResponderEliminarSaúdo o seu regresso. Concordo com o que diz no seu comentário sobre o amor originar sofrimento em grande parte das vezes.
EliminarVoltará é será sempre bem recebida.
Um abraço.
Meu amigo Luís, que poema profundo e tão emocional. Ficou dentro de mim como se fosse um eco das minhas próprias palavras.
ResponderEliminarTudo de bom.
Um beijo.
É um contentamento para um autor quando alguém se identifica com o que deixamos escrito.
EliminarBom fim de semana.
Um abraço.
Bom dia Poeta,
ResponderEliminarUm poema muito belo que me levou a este pensamento e ao mesmo tempo a questionar-me:
Será que o amor sem sofrimento teria a mesma grandeza e beleza?
O amor é um constante desafio.
Um beijinho.
Emília
O amor é um desassossego e não conduz ao paraíso.
EliminarUm abraço.