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Concluo sem possibilidade de alteração 
que há em quase tudo uma oculta inutilidade
mas sempre receptivo a que cada dia 
possa ser um lugar verdadeiro

concluo sem possibilidade de alteração
que cada dia é um adiamento da prova
da necessidade do primeiro dia
de onde trazemos uma ruga de criança 

que afago nos convence
de que estamos vivos e queremos? 
ao menos que a lucidez
nos dê a ousadia de pensar. 



 

2 comentários:

  1. Se o primeiro dia nos deu a vida, é o pensamento ousado e a vulnerabilidade — a ruga que carregamos — que nos mantêm em movimento. O afago que nos convence a querer é, fundamentalmente, a própria teimosia em continuar procurando o verdadeiro.
    A fotografia é linda de morrer.

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  2. Diria:
    Pensar?
    Não é uma "oculta inutilidade", "um adiamento da prova" ?
    Só hoje... Como o primeiro dia, sem a "ruga de uma criança"!
    Tudo se pode alterar quando há a consciência do que o leva ao "lugar verdadeiro."


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