Há razão para o medo
nas marcas persistentes no céu 
a grande velocidade 

no rumor e no fogo
que desce das montanhas 
nos que já tão tarde 
ainda não regressaram
nos que partiram clandestinos
sem que lhes soubéssemos o nome
nos aglomerados de gente
e nos seus murmúrios nas igrejas
no temor de que nos levem
a nossa mulher e os nossos filhos 
nos barcos parados encostados 
uns aos outros rangendo
na quantidade limitada de pão 
que cabe a cada um
na agitação dos animais
e nos seus uivos

em algum lugar inventaram a violência 
há razão para o medo. 

 


 

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