Foto de Daniel Filipe Rodrigues



Sou persistente e repito-me
adiciono mais uma palavra
mais um breve pensamento ___ longo
ficando o espaço em equilíbrio difícil 
o que ficou é tudo em segunda mão 
os discos de Paul Anka em silêncio 
os meus lenços de adorno ainda com cor
as fotos das minhas antigas amantes sem rosto

as primeiras mãos foram as antigas mãos 
que eram o meu destino
nesse tempo tudo me parecia definitivo
e tudo assim me parecia porque eu sou temporário 
perguntei a Ciclope se é feliz só com um olho
ele disse que nunca tinha sentido
falta de um outro olho
agora sinto o teu corpo e isso me basta. 

 




16 comentários:

  1. Há memórias que vivem sempre connosco.
    Beijos e abraços
    Marta

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  2. Quando a política desfoca a poesia, o ruído do pragmatismo, das disputas e das urgências do mundo social acaba por silenciar a sensibilidade, a beleza e a pausa que a arte nos impõe.

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    1. É não perdermos de vista a procura dos momentos de beleza.

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    2. Há dias em que a realidade é tão impositiva que a poesia precisa, temporariamente, esperar nos bastidores.
      O espaço contemplativo que a arte exige acaba sendo preenchido pela urgência do presente.
      A fotografia é lindíssima.

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  3. Que bonito. A foto traz boas memórias. Abraços!

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  4. Olá, Luís!
    Venho agradecer o belíssimo Miminho Outonal. A mensagem dos versos e a folha recortada e pintada por si, chegaram ao meu coração.
    Grata por manter o meu nome no seu baú de «recordações blogueiras». Vou tentar encontrá-lo no Instagram.
    Um abraço de palavras, muita saúde.
    (Atraso: o código postal misturado com outro de Odivelas, Corroios; celebração, fora, de mais um aniversário)

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    1. É um gosto ter a quem enviar correio.
      Instagram : luis.raimundo.rodrigues
      Um abraço.

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  5. E eu lá sabia que Paul Anka era um rapaz tão bem parecido nos seus early years. Quando soube dele era já bastante maduro (talvez um bocadinho podre). Tinha voz e melodia bastante capaz de se ouvir (e o mais) nos bailes de garagem que ignoro se não eram do meu tempo se me passaram ao lado como tanta coisa passou e inda passa. Um canta-autor.
    Portanto, Nuvens, sou-lhe grata pela descoberta deste Adónis de então - a idade não perdoa e todos vamos ficando parecidos na velhice, que é como quem diz, mais ou menos feios e amacacados (o amacacados é opinião pessoal, não desejo injuriar ninguém). Conhecia apenas a melodia.
    Eximo-me de juízos sobre a foto de múltiplos sentidos. Quanto ao poema, julgo que quando tudo sossobra, ter um corpo (mesmo que seja o próprio) que nos impele ou deixa continuar, é uma benção.
    Boa semana

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    1. Quem não teve a oportunidade de viver os anos 60 perdeu uma das melhores décadas de sempre.
      Quanto à ideia de que a idade nos torna simiescos, nem todos, há gente idosa que ficou mais bela.
      Um abraço.

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  6. Mais vale só que mal acompanhado.
    Um poema interessante, gostei.
    Já não ouvia o Paul Anka há séculos...
    Boa semana.
    Um abraço.

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    1. Com o avançar da idade já começamos a pensar como o Vinicius dizia, mais ou menos isto: mais vale ser infeliz do que estar sozinho.
      Boa semana.
      Um abraço.

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  7. Costumo dizer que tive muita sorte de viver nesta altura
    Tinha um disco de vinil 35 rotações com You are my destiny, Tanto que escutava, tanto que dançava.
    Gostei muito do poema.
    Abraço e brisas doces **

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