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A vida
foi-me entregue assim
nas mãos 
com cânticos 
o modo de a usar
foi como um doce
lambuzei-me com ela
até ao exagero
até à doença 
até ao susto

a vida
sem instruções de uso
sem prazo de validade
sem possibilidade de recusa
com a infantilidade de a viver
em modo de infinitude
negando Deus e os seus milagres 
foi-me oferecido um fim 
para o qual não me avisaram
à nascença involuntária 

a vida
é uma trágica ditadura
entregue à tarefa do tempo
com quem convivo 
encaro-o pacificamente
sento-me à mesa com ele
e peço 
dois chás e duas madalenas
isto é a vida
e o modo de a usar. 


 



 

1 comentário:

  1. Olha, Olha gostei muito deste poema como o narras e a foto muito bem escolhida!
    Beijos e um bom dia!

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