Fico sentado
 
a ver o meu corpo em movimento
prestável na sua habilidade
de cravar um prego na parede 
para pendurar um quadro meu
fico a ver o meu corpo a equilibrar
o quadro que eu pintei 
todo azul ___ céu e mar
por momentos inclinou-se o quadro
derramou todo o mar
pela parede abaixo
fiquei sentado a ver o meu corpo
a mergulhar. 


 

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Francisco Simões 
1946 - 2026
Foto do Centro Português de Serigrafia



10 comentários:

  1. Há muito ano visitei a exposição de Francisco Simões na Escola onde o pintor leccionava na altura.
    No caso presente, prefiro as suas palavras à pintura em azul. Ignorância minha, claro. É o que é.
    Mergulhar em águas azuis que não escorrem de um quadro, antes estão desde sempre em espera; renascem em festa por cada verão, se um corpo as atravessa como quem abre a porta de casa.

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    1. Em Arte, continuo a pensar que a palavra ignorância não existe, gosta-se ou não conforme a experiência e a vida intensa em comum com ela. Quantas vezes, mais tarde, gostamos de algo de que não gostávamos antes.
      Um abraço.

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  2. Mais um homem que parte. Um homem capaz de criar um mundo, ou de abraçá-lo.

    Um abraço, L.

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  3. Bom dia Poeta,
    Sentida e bela homenagem a Francisco Simões.
    Foi-se o Homem, fica a Obra.
    Beijinhos e bom domingo.
    Emília

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  4. E há segredos ainda a descobrir no azul imenso.....
    Beijos e abraços
    Marta

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