Foto de Daniel Filipe Rodrigues


Prendo-me sem querer às marcas
que trago da juventude ___ é instintivo
este querer partir
sem para lugar certo
este querer amar
sem saber a quem
a falta de protecção 
aqui
ali
em qualquer lugar
sempre temi o mar
e é para lá que me levam
para saltar não tenho firmeza
para os pés em lado nenhum 
deixo-me afogar
e salvo-me depois
para me afogar de novo
sempre o tempo me pareceu
sem fim
e com inúmeras possibilidades 
de recomeço ___ de perigo
há uma constante ameaça 
foi por isto tudo que parti
e ainda estou de partida. 


 


10 comentários:

  1. Em cima de uma bicicleta, a poesia não está no que eu penso da estrada, mas na própria estrada que passa sob as rodas.
    Fotografia lindíssima.

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    1. Concordo, a poesia pode ser um caminho, não sabemos até onde nos conduz mas vamos caminhando.

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  2. Mesmo diferentes de si, não estamos todos de partida, Nuvens?!

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  3. A vida é feita de começos e recomeços... Partir com destino marcado ou ao sabor do vento... faz parte de nós e da poesia...
    Beijos e abraços
    Marta

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    1. Por vezes, quando partimos, não chegamos ao destino que tínhamos determinado.
      Um abraço.

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  4. Às vezes é assim, parece que a estrada é só uma rotunda e passamos assim muitas vezes no mesmo lugar sem encontrar a saída. Eu prefiro as estradas em linha recta e com horizonte, mesmo sem saber exactamente onde me levam. A escolha é pelo menos parcialmente nossa. Aproveitem o sol e busque o mar manso que o pode abraçar sem assustar.

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    1. Essa alternativa da rotunda... é inesperada e altera os mapas da viagem.
      Um abraço.

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  5. As indecições toldam- nos por completamente as ideias e faz de nós baratas tontas! A foto é muito bonita!
    Beijos e um bom dia!

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