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Há muito tempo que não olhava para as minhas mãos 
agora quando escrevo fico a olhar
para o brilho da pele e para os rios escuros
que vão e vêm para lugares dentro de mim 
a minha vida de um lado para o outro a trazer e a levar
o que respiro
o que penso
o que digo
o que calo
e escrevo
sou uma ilha como um mundo
com lugares rochosos
com mares turbulentos
com vastos desertos
e escrevo
na floresta que sou ___ um melro preto pousa
na minha realidade mental
acolho-o
ou é ele que me acolhe a mim
e escrevo

não sei o que fazer ao mundo ___ o fim do poema 
é um café duplo e dois pastéis de nata com canela
e escrevo.


 

8 comentários:

  1. Escrita como veste de identidade.
    A pessoa-ilha explora mares, desertos e florestas da mente, acolhendo um melro preto como símbolo de presença inseparável.
    O poema encerra num desejo simples, quase quotidiano, que contrasta com a vastidão da reflexão: escrever como modo de existir.

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  2. Se fazer
    é escrever
    Se fazer
    é beber e comer
    então
    faz tudo isso
    antes de dares sumiço

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  3. Escrever é existir... é explorar memórias e descobrir novos Mundos...é a liberdade da alma e do ser...
    Beijos e abraços
    Marta

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  4. Acabe o mundo como o poema: com dois cafés e dois pastéis de nata. Ou, em vez de o acabar, sirva-o com os mesmos ingredientes.

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    1. Um café e um pastel de nata antes da execução da pena capital. Boa ideia!
      Um abraço.

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