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Nasci aos oitenta anos
lembro-me de quase tudo
a sensação de sufoco
ao sair dos setenta e nove
a abandonar a penumbra
do espaço temporal onde vivi
bateram-me para chorar
julgavam que eu tinha nascido morto
todos se admiraram
de eu não trazer cordão umbilical

ao ver tanta gente observando-me
constatei que estava nu
roubaram-me tudo ___ pensei
alguém disse ___ como terá sido possível 
ele viver sem ligação à fonte da vida
sei que é perigoso nascer
fora do prazo normal de gestação 

taparam-me completamente 
com um grande pano branco
e foram-se embora
ainda ouvi dizer ___ vai ter vida curta
coitado. 



 

16 comentários:

  1. Me ha dado escalofríos leer tu poema, Nubes.
    Espero que tengas un buen día.
    Estoy celebrando la primavera en mi ventana.
    Un abrazo, amigo.

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    1. A lo largo de nuestra vida nacemos y morimos muchas veces.

      ¡Viva la primavera!

      Un abrazo.

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  2. Valha-me me Deus fiquei gelada com este poema e vou fugir:)
    Beijos e um bom dia!

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  3. Benjamin Button também nasceu velho. Só que foi remoçando.
    Parece-me bem que este ser que nasceu aos oitenta, provavelmente para uma outra vida, e de forma diversa de Button, acaba morto nesta. Calha a todos. O mundo está cheio de mortos. E de mortos vivos.
    Boa noite, Nuvens

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    1. Nascemos várias vezes mas... só nós é que sabemos.
      Um abraço.

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  4. Concordo com o que responde ao comentário anterior. Morremos e renascemos várias vezes... às vezes, recomeça-se do zero, outras, muda-se apenas o rumo...
    Mas a dor só nós é que a conhecemos... é muito duro recomeçar do zero, eu tive que o fazer...
    Beijos e abraços
    Marta

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    1. Acontece a todos, descobrimos isso quando meditamos sobre o nosso percurso de vida.
      Obrigado.
      Um abraço.

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  5. Bom dia Poeta,
    Um poema que nos faz refletir sobre a vida e a morte, o início e o fim num percurso feito de intermitências.
    Beijinhos e um dia abençoado.
    Emília (e será que está de Parabéns, hoje?)

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    1. Sim, é preciso refletir.
      Não estou de parabéns.
      Obrigado.
      Um abraço.

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  6. O poeta reconhece que nascer fora do prazo normal é perigoso.

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  7. Efectivamente morimos cada noche y una nueva vida nos recibe a la mañana siguiente... dicen. Cierto que el entorno de la imagen... preocupa. Jaja. Un abrazo

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    1. Hola Gil, te doy la bienvenida a mi espacio poético. Estoy de acuerdo y agradezco tu comentario.
      Un abrazo.

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  8. Respostas
    1. brancas nuvens negras2 de abril de 2026 às 11:16

      Estar vivo ou não estar vivo.

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