Foto de Daniel Filipe Rodrigues
Surpreendo-me com a língua em que falasos sonsos temposas pausasos significados outrosa largura das palavrascomo um comboio perdido de vista numa curvacomo uma história que poderá não ter fimsurpreendo-me com a língua em que falascomo se eu nunca pudesse entender-tepor surdez ou por cegueira ___ como julgasdeve ser por tudo istoque somos tão brevesum para o outro.

Admiro a sua imagem poética da língua. A língua é mesmo esse mistério: uma arquitectura invisível que molda o que sentimos. Ela é o fôlego que vira carne, o silêncio que ganha peso e a ponte que atravessa o abismo entre dois mundos internos. É a nossa ferramenta mais imperfeita e, por isso mesmo, a mais humana.
ResponderEliminarEm poucas palavras: surpreende-me a riqueza, a cadência e o poder de comunicação que a língua tem, mesmo quando parece invisível ou indecifrável.
Admiro também a interessante fotografia do primogénito.
E eu admirei este seu comentário tão poético. A língua é a possibilidade que temos de nos afirmarmos como humanos. Verdade seja dita que nem todos a sabem usar e muitos não a querem usar o que dificulta e destrói as relações sejam elas de amizade ou amorosas.
EliminarTambém achei a foto bem conseguida.
Olá :)
ResponderEliminarAs características que definem a língua humana podem parecer fáceis mas acontece que muitas vezes escondem uma grande complexidade.
É bom quando ela expressa emoções e sentimentos.
Terrível quando usada como arma de arremesso.
É bom quando ainda nos conseguimos surpreender.
Gostei muito.
Abraço e brisas doces ***
Estou muito de acordo com o que disse. Certamente já tivemos essas experiências de que fala, expressão dos sentimentos e palavras contundentes.
EliminarAgradeço a sua vinda, hoje houve por aqui pouco movimento, as visitas dão ânimo ao autor.
Um abraço.
a língua que derruba, que enaltece, que cala, que acicata, que dá, que rouba, que, que...
ResponderEliminara língua
A nossa identidade, a forma como mostramos a nossa formação.
EliminarSe a comunicação é breve é porque o entendimento é alargado.
ResponderEliminarBom fim de semana.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
A sua dedução é bem intencionada, no entanto nem sempre é assim. Infelizmente.
EliminarUm abraço também.
Caro Poeta/Pintor
ResponderEliminarNeste poema, a linguagem surge como território de desencontro .
Não apenas entre palavras, mas entre duas formas de existir.
A repetição do verso inicial reforça o espanto persistente diante de uma comunicação que falha, onde os sons e silêncios carregam mais distância do que aproximação.
A imagem do “comboio perdido de vista” acentua essa ideia de algo que se afasta irremediavelmente, tal como a compreensão do outro.
No fecho, a brevidade entre ambos não soa a acaso, mas a consequência inevitável de uma incomunicabilidade profunda e quase sensorial.
Tenha bom final de semana.
:)
Cara Piedade, "surpreendo-me" com a sua análise que, desta vez, disse tudo o que eu pretendi dizer no meu texto, nem mais nem menos. Os seus comentários são sempre boas interpretações, mas este seu, de hoje, era como se eu quisesse explicar o que está dentro das minhas palavras.
EliminarUm abraço.
Foi difícil, li-o no dia da publicação, e reli muitas vezes.
EliminarAinda bem que entrei na mensagem do poema.
Obrigada!
:)
O autor está contente.
EliminarUm abraço.
Quando a linguagem começa a ser estrangeira para ambos é melhor desistir. Ou cada um aprender a falar a língua do outro. Capaz de ser interessante a aprendizagem de um novo idioma (também pode não valer a pena). Mas no outro aprende-se pouco porque quem nele vemos é a imagem que formamos e que é afinal muito nossa. Uma complicação, Nuvens.
ResponderEliminarQueira desfrutar de um bom fim de semana
Aqui chegados, arrisco dizer, que já quase todos tivemos essa experiência.
EliminarBom fim de semana
Um abraço.
A língua estranha dificulta bastante esse 'ser breve' como no poema.
ResponderEliminarSe não entendemos queremos fugir do outro, evidentemente.
A língua dos sinais, L essa será que daria certo? rs
Um abraço , e feliz fim de semana
Os sucessivos desencantos tiram-nos a voz.
EliminarBom fim de semana.
Um abraço.
Por mais que se pratique nunca se sabe tudo, mas agarrados a certos vícios, achamos que sim. E assim ou ficamos em silêncio ou nos dispomos a aprender de novo. Bom fds
ResponderEliminarNesta fase da vida, cheguei à conclusão de que há momentos em que devemos ficar quietos e calados. Hoje em dia é difícil encontrar a comunhão de ideias na vida corpo a corpo.
EliminarBom fim de semana.
Um abraço.