Foto de Daniel Filipe Rodrigues 



Surpreendo-me com a língua em que falas
os sons
os tempos
as pausas
os significados outros
a largura das palavras 
como um comboio perdido de vista numa curva
como uma história que poderá não ter fim

surpreendo-me com a língua em que falas
como se eu nunca pudesse entender-te
por surdez ou por cegueira ___ como julgas
deve ser por tudo isto
que somos tão breves
um para o outro. 



 

18 comentários:

  1. Admiro a sua imagem poética da língua. A língua é mesmo esse mistério: uma arquitectura invisível que molda o que sentimos. Ela é o fôlego que vira carne, o silêncio que ganha peso e a ponte que atravessa o abismo entre dois mundos internos. É a nossa ferramenta mais imperfeita e, por isso mesmo, a mais humana.
    Em poucas palavras: surpreende-me a riqueza, a cadência e o poder de comunicação que a língua tem, mesmo quando parece invisível ou indecifrável.
    Admiro também a interessante fotografia do primogénito.

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    1. E eu admirei este seu comentário tão poético. A língua é a possibilidade que temos de nos afirmarmos como humanos. Verdade seja dita que nem todos a sabem usar e muitos não a querem usar o que dificulta e destrói as relações sejam elas de amizade ou amorosas.
      Também achei a foto bem conseguida.

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  2. Olá :)
    As características que definem a língua humana podem parecer fáceis mas acontece que muitas vezes escondem uma grande complexidade.
    É bom quando ela expressa emoções e sentimentos.
    Terrível quando usada como arma de arremesso.
    É bom quando ainda nos conseguimos surpreender.
    Gostei muito.
    Abraço e brisas doces ***

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    1. Estou muito de acordo com o que disse. Certamente já tivemos essas experiências de que fala, expressão dos sentimentos e palavras contundentes.
      Agradeço a sua vinda, hoje houve por aqui pouco movimento, as visitas dão ânimo ao autor.
      Um abraço.

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  3. a língua que derruba, que enaltece, que cala, que acicata, que dá, que rouba, que, que...
    a língua

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    1. A nossa identidade, a forma como mostramos a nossa formação.

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  4. Se a comunicação é breve é porque o entendimento é alargado.
    Bom fim de semana.
    Abraço de amizade.
    Juvenal Nunes

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    1. A sua dedução é bem intencionada, no entanto nem sempre é assim. Infelizmente.
      Um abraço também.

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  5. Caro Poeta/Pintor
    Neste poema, a linguagem surge como território de desencontro .
    Não apenas entre palavras, mas entre duas formas de existir.
    A repetição do verso inicial reforça o espanto persistente diante de uma comunicação que falha, onde os sons e silêncios carregam mais distância do que aproximação.
    A imagem do “comboio perdido de vista” acentua essa ideia de algo que se afasta irremediavelmente, tal como a compreensão do outro.
    No fecho, a brevidade entre ambos não soa a acaso, mas a consequência inevitável de uma incomunicabilidade profunda e quase sensorial.
    Tenha bom final de semana.
    :)

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    1. Cara Piedade, "surpreendo-me" com a sua análise que, desta vez, disse tudo o que eu pretendi dizer no meu texto, nem mais nem menos. Os seus comentários são sempre boas interpretações, mas este seu, de hoje, era como se eu quisesse explicar o que está dentro das minhas palavras.
      Um abraço.

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    2. Foi difícil, li-o no dia da publicação, e reli muitas vezes.
      Ainda bem que entrei na mensagem do poema.
      Obrigada!
      :)

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  6. Quando a linguagem começa a ser estrangeira para ambos é melhor desistir. Ou cada um aprender a falar a língua do outro. Capaz de ser interessante a aprendizagem de um novo idioma (também pode não valer a pena). Mas no outro aprende-se pouco porque quem nele vemos é a imagem que formamos e que é afinal muito nossa. Uma complicação, Nuvens.
    Queira desfrutar de um bom fim de semana

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    1. Aqui chegados, arrisco dizer, que já quase todos tivemos essa experiência.
      Bom fim de semana
      Um abraço.

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  7. A língua estranha dificulta bastante esse 'ser breve' como no poema.
    Se não entendemos queremos fugir do outro, evidentemente.
    A língua dos sinais, L essa será que daria certo? rs
    Um abraço , e feliz fim de semana

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    1. Os sucessivos desencantos tiram-nos a voz.
      Bom fim de semana.
      Um abraço.

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  8. Por mais que se pratique nunca se sabe tudo, mas agarrados a certos vícios, achamos que sim. E assim ou ficamos em silêncio ou nos dispomos a aprender de novo. Bom fds

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    1. Nesta fase da vida, cheguei à conclusão de que há momentos em que devemos ficar quietos e calados. Hoje em dia é difícil encontrar a comunhão de ideias na vida corpo a corpo.
      Bom fim de semana.
      Um abraço.

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