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Este vício de poetao sentimento trágico da vida*a tristeza como musgo agarrado às paredeso alento ___ a alegria da tua chegada pareciaque na verdade estiveras sempre aqui ___ invisívele era assima luz da casa a cair da janela sobreos malmequeres que estavam sempre apagadoso cão já recolhido a respirar o sonolevantava a cabeça e parecia sorrirnão havia luz que chegasse para a noite todase tornar dia na luz da pele ___ da tua pelee a palma da mão ___ da minha mãoa aproveitar o silêncioabrindo o caminho permitido paradesertos lisosserras gémeasdeclives suavesarbustos limitadosleitos sem riosque o teu corpo chegado aquiao meu vício de poetaà tragicidade da minha vidame fazia respirar o sono como o do cãocom um sorriso de fidelidade caninao meu instinto quase adormecido suspiravacom um som como o do musgoa crescer nos muros da minha almaque eu não suspeitava ainda vivadepois ___ muitos anos depois morrestenunca mais te viou fui eu que morrinunca mais me vistee fiquei até tão velho como tua consumir sozinho este vício de poetacom este sentimento trágico da vidaque já não me lembro com quem aprendi.
*Miguel de Unamuno

A vida diária arrasta-se entre o pó e o espanto,
ResponderEliminarO poeta se nutre do que o tempo devorou.
A dependência é o seu fado, a dor é o seu manto,
neste altar de ausência que a solidão montou.
Belíssimo poema, uma quadra brilhante, como comentário.
EliminarTodos nós vamos para a velhice e este poema do Miguel é a prova disso que até doeu-me a alma como velha mas que aceito as mazelas do corpo e penso nas coisas positivas!
ResponderEliminarBeijos e um bom domingo!
O poema é meu, do Unamuno é apenas a frase "O sentimento trágico da vida" que dá título a um livro dele.
EliminarUm abraço.
É o circulo da vida... perdemos e ganhamos ao mesmo tempo... vivemos com uma outra perspectiva...
ResponderEliminarBeijos e abraços
Marta
Aceitemos pois o bom e o mau da vida e façamos poesia... quando possível.
EliminarUm abraço.
Não apreciei a foto dos malmequeres tão falsamente ordenados, tão pouco se parecem com os que cultivo e são vivos. Gostei do poema de Unamuno. Perversamente lindo.
ResponderEliminarO poema é meu, do Unamuno é apenas a frase "O sentimento trágico da vida" que dá título a um livro dele.
EliminarA estrela* junto à frase remete para a indicação final do autor da mesma.
Um abraço.
Pois tome para si o que disse acerca do outro senhor.
EliminarMuito obrigado.
EliminarSerá que nascemos com ele, esse "trágico sentimento da vida"? Pergunto-me isso a mim própria muitas vezes, porque é que os outros não têm esta tristeza que por vezes me invade, esta inquietude, este manancial de perguntas sobre o mundo, sobre mim e sobre os outros...enfim, partilho as perguntas e não sei as respostas. Um abraço e resto de bom domingo.
ResponderEliminarPenso que o sentimento trágico da vida pode dever-se ao nosso percurso de vida, à nossa constante procura de informação e conhecimento e assim, à nossa tomada de consciência.
EliminarBom domingo.
Um abraço.
Quão bonito era !
ResponderEliminarAprendias com a alegria da chegada invisível...
Gostei muito, L Muito ! Grande, grande abraço
Chegadas são felizes, partidas são tristes.
EliminarUm abraço.
A perda é uma constante na vida.
ResponderEliminarTalvez seja por isso que há monges que de tudo se despojam.
Mas quem não é monge...
Um poema intenso, que vale a pena e precisa de várias leituras.
Boa semana.
Um abraço.
A vida tem sempre a possibilidade de um acontecimento trágico que surge em momentos inesperados, por vezes quando tudo parece tranquilo. É esse o sentimento trágico da vida.
EliminarBoa semana.
Um abraço.
Um poema intenso e melancólico, onde o amor, a memória e a ausência se entrelaçam num fio de beleza dolorosa.
ResponderEliminarA linguagem sensorial cria um cenário íntimo e profundo...
A memória e a ausência são precipícios onde caímos várias vezes.
EliminarBelo poema!
EliminarE a referência a Miguel Unamuno e a sua obra "O sentimento trágico
da vida", que lhe valeu a condenação do Santo Oficio.
Um abraço
Olinda
Seguimos e lemos aqueles que valem a pena.
EliminarUm abraço.
Caro Poeta/Pintor
ResponderEliminarEste poema constrói um ambiente de nostalgia e intimidade, unindo o quotidiano à reflexão existencial. A presença do outro surge como luz e respiração, em contraste com a solidão final.
As imagens, o cão que “respira o sono”, a luz sobre os malmequeres, o musgo nas paredes, criam um mundo sensível onde o amor é simultaneamente abrigo e ferida.
O tom é melancólico, mas de uma melancolia fértil, que transforma a perda em memória viva.
:)
Por muito que queiramos, este sentimento trágico da vida, um dia ou outro surge na nossa mente. Como de costume apreciei o seu comentário.
EliminarUm abraço.