Foto de Daniel Filipe Rodrigues
Suponho que te movesque acendes a luz sobre a casasuponho que são teusos passos que ouçoés tunão sabes então quejá não moro nesta casaque deixei tudo como estavaem nossa memória ___ por respeitomas ficou por nascer o nosso filhosuponho que chove em voltada casa que foi nossasabes que nunca gostei da chuvaque isso me impedia de fumar lá foraia-me com o fumosuponho que apreciaráso ar puro pelas janelas abertasos cortinados com vidaa brisa ___ a vida ondulandosem vidasuponho que fecharáso livro que esqueci abertosuponho que encherás um saco pretocom o resto da minha roupae que lhe darás destinosuponho que te sentarás a pensarno que já parece antigomas que foi ontem ___ incrédulacom o passar do temposem tempo agorasuponho que acharásque estou longe aqui mesmoe ambos pensaremos se aindaserá possível a poesia.

O poema funciona como um espelho e um mapa aberto, onde o significado final só se completa no encontro com a mente de quem o lê.
ResponderEliminarA fotografia é linda de morrer.
Sempre descubro muito boas interpretações nos seus comentários.
EliminarA foto é um instantâneo, saber ver faz o fotógrafo.
Que bonito, o que move o poeta !
ResponderEliminarEstar' longe' aqui mesmo' é uma metáfora emocional e aí mora a poesia.
Um abraço, Luís
A poesia permite-nos ter ideias absurdas.
EliminarUm abraço.
Gostei do "Deixei tudo como estava" e da justificação - por respeito. Mesmo que fora de moda, o respeito é uma atitude eu diria que quase galante.
ResponderEliminarBoa noite, Nuvens
O respeito é uma qualidade antiga, vamos tentar lembrar os mais novos.
EliminarUm abraço.
é sempre possível a poesia
ResponderEliminarUm abraço
A poesia aconchega-nos.
EliminarUm abraço.
A poesia é sempre possível... afasta os fantasmas, ilumina a noite e respeita as nossas lágrimas, a nossa dor...dissipa o medo... deixa-nos respirar....
ResponderEliminarBeijos e abraços
Marta
Estou de acordo.
EliminarUm abraço.
Tu és de facto um grande poeta embora, entras sempre no sotão de emoções demasiadas vezes e tão absurdas!Eu digo o que sinto e não fiques zangado embora eu é para o lado que durmo melhor😏😏😏
EliminarBeijos e um bom dia!
Todos as interpretações e comentários são válidos, os seus, de facto, com a vantagem de serem muito humorísticos, o que aprecio.
EliminarUm abraço.
Boa tarde Caro Poeta/Pintor
ResponderEliminarO poema constrói-se num registo intimista e melancólico, onde a repetição de “suponho” reforça a tentativa dolorosa de imaginar a continuidade da vida após a ausência.
Há uma delicadeza muito humana nos pequenos detalhes domésticos, a chuva, o fumo, os cortinados, o livro aberto que transformam a casa numa extensão da memória e do luto. O verso “mas ficou por nascer o nosso filho” surge como um golpe silencioso, carregando uma das imagens mais profundas do texto.
Gostei particularmente da forma como o poema oscila entre presença e vazio, entre aquilo que ainda parece vivo e aquilo que já pertence apenas à recordação.
O fecho deixa no ar uma pergunta belíssima e inquietante: se a poesia consegue sobreviver quando o amor e o tempo parecem suspensos.
Eu acho que sim...mas é a minha opinião que vale o que vale.
Espero que tenha um bom fim-de-semana, apesar do calor imenso.
:)
Cara Piedade, o seu comentário é de grande sensibilidade de análise, apesar de ser o autor do escrito a sua análise toca a minha sensibilidade como se estivesse perante um texto escrito por outro.
EliminarBom fim de semana, fiquemos então à sombra.
Um abraço.
A poesia também pode ser uma manifestação afetiva.
ResponderEliminarBom fim de semana.
Abraço amigo.
Juvenal Nunes
Sim, assim haja quem a receba com esse espírito.
EliminarUm abraço também.
a poesia é a irmã pobre da escrita (dizem)
ResponderEliminareu discordo
a poesia é presença, ausència, amor e liberdade em arte dramática ou talvez não...
para mim é luz e sempre será.....
A poesia é filha dos nossos sentimentos.
EliminarUm abraço.