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Já tudo me cansa
a paisagem urbana colada à janela da frente
os telhados como muros na janela de trás 

já tudo me cansa
menos o abrir do dia lá fora
os saltos dos melros lá fora
a certeza de ter alma
escutar a música nas palavras dos livros
embora no silêncio que está por todo o lado

de resto 
esqueço-me de tudo 
menos que
já tudo me cansa. 


 

14 comentários:

  1. Subterrânea, a poesia teima em pulsar,
    recolhendo os fragmentos de sensibilidade
    que o cansaço não conseguiu esmagar.

    Encantada com a fotografia.

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    1. Somos como que uma ilha, a poesia está lá sempre onde precisamos dela.

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  2. O poema traduz muito bem o cansaço que irrompe tantas vezes no quotidiano. Compreendo esse cansaço, também o sinto por vezes, parece vir tão de dentro que até de nós mesmo ficamos cansados. Acho que é aí que mudo de lugar, de paisagem e passo na pele um creme de outra fragrância.

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    1. Haverá um remédio para isto, por enquanto só encontro a poesia, a arte e a introspecção. Pelos vistos isto não é caso único.
      Um abraço.

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  3. Mas encontramos uma forma de ultrapassar esse cansaço... com um poema, uma música, as memórias de momentos felizes para fazer novas.
    Beijos e abraços
    Marta

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    1. Essa receita ainda é a que atenua o estado de espírito... mas não cura.
      Um abraço.

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  4. Boa tarde Caro Poeta/Pintor
    Há textos que se lêem devagar, quase em silêncio, e este é um deles.
    Há nele um cansaço que não apaga aquilo que ainda nos prende à vida: a manhã que se abre, o salto dos melros, a alma, e sobretudo essa música que continua a existir nas palavras dos livros.
    Talvez seja essa a beleza deste poema, lembrar-nos que, mesmo quando tudo parece pesar, há sempre pequenas coisas que permanecem e nos fazem companhia.
    Um texto muito bonito, muito humano e, à sua maneira, profundamente terno.
    A imagem ficou muito bem para suporte do poema.
    Deixo um abraço cheio de carinho e amizade...
    :)

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    1. Como sempre, o seu comentário é objectivo e põe em palavras certas a ideia do meu texto. Dia a dia vamos descobrindo a forma de ainda respirar.
      Um abraço.

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  5. Verdade ,tudo nos cansa, principalmente os muros que nós mesmos criamos .
    Beijinhos, Luís.

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    1. Não maioria das vezes sem termos consciência dos muros que se levantam.
      Um abraço.

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    2. Quando ia lançado a subscrever o comentário da Pity, por concordar com tudo...
      reflito no que se passa comigo... é que, porque nunca paro, nunca me canso

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  6. Ambas hemos coincido en la imagen del tejado como imagen en nuestras respectivas publicaciones.
    Un aabrazo.

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