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A vida
foi-me entregue assim
nas mãos 
com cânticos 
o modo de a usar
foi como um doce
lambuzei-me com ela
até ao exagero
até à doença 
até ao susto

a vida
sem instruções de uso
sem prazo de validade
sem possibilidade de recusa
com a infantilidade de a viver
em modo de infinitude
negando Deus e os seus milagres 
foi-me oferecido um fim 
para o qual não me avisaram
à nascença involuntária 

a vida
é uma trágica ditadura
entregue à tarefa do tempo
com quem convivo 
encaro-o pacificamente
sento-me à mesa com ele
e peço 
dois chás e duas madalenas
isto é a vida
e o modo de a usar. 


 



 

12 comentários:

  1. Olha, Olha gostei muito deste poema como o narras e a foto muito bem escolhida!
    Beijos e um bom dia!

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  2. Introspectiva sobre a condição humana, o excesso na juventude e a aceitação serena da finitude.
    A vida é retratada como uma experiência sem manual de instruções, culminando numa convivência pacífica com o Tempo.

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    1. A vida é uma ditadura do tempo... sem alternativa.

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    2. A ideia é de que "não importa o que fizeram de nós, o que importa é o que fazemos com o que fizeram de nós".

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    3. Uma referência da nossa juventude que... permanece até hoje.

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    1. Ficámos melancólicos... é próprio do lugar onde chegámos.
      Boa semana.
      Um abraço.

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  4. A vida pode derrotar-nos à partida ou leva-nos a lutar contra o rumo imposto... Mas depois o Tempo torna-se inevitável.
    Beijos e abraços
    Marta

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  5. Chá e Madalenas é o Outono estação e o Outono Vida, é bonito também, a vida tem muitas estações e não temos nem podemos ter sempre o mesmo folgo, energia e garra, mas ganha-se outras coisas, bem presentes na serenidade do poema.

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    1. O Outono é uma estação onde se faz o saldo da nossa experiência de vida.
      Um abraço.

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