Foto de Daniel Filipe Rodrigues


Soube por mim próprio 
de que doença padecia
e que longo este tempo da doença 
doença que me parecia mais saudável 
do que a saúde dos outros
cuja doença é não estarem doentes

sou órfão desde que nasci
e fiquei órfão várias vezes pela vida fora
conformei-me com a herança 
um segredo 
que me manteve pobre
com ele 
já morreram dois inocentes
que o herdaram dos mesmos pais

dai-me uma razão e eu sobreviverei. 


 


32 comentários:

  1. O poema é um dos mais introspectivos do poeta, lidando com a sensação de isolamento social e familiar, e o peso de uma tristeza que parece anterior ao próprio nascimento.
    A fotografia do primogénito é como sempre uma maravilha.

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    1. O poema, depois de acabado, fala sem limites.
      Também acho a foto uma obra de arte.

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  2. Parece-me que a grande e única razão é o milagre de estarmos vivos.
    Bom Dia

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    1. Sim, é um milagre continuarmos vivos... com tantos mortos em redor.
      Um abraço.

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  3. Por vezes, não sabemos como estamos vivos, como sobrevivemos ao deserto em que o Mundo mergulha... A dor é profunda, mas encontramos uma forma de continuar a caminhar...
    Beijos e abraços
    Marta

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    1. Vamos caminhando até ficar na mira do nosso próprio destino.
      Um abraço.

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  4. Dou-te várias razões...viver um dia de cada vez, enfrentar e aceitar o envelhecimento porque não tens, nem eu tenho o travão de parar! Já disse aos meus que se me der o fanico deixai-me partir porque não quero sofrer mais! Percebeste? As dores são tramadas e também as tenho mas controlo com medicamentos e não me venham com tretas das mezinhas!
    Beijos e abraços!

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    1. Apreciei o comentário tão real e directo, o tempo continua a passar com todas as suas consequências, apesar da poesia.
      Um abraço

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  5. Somos muitas vezes órfãos de nós mesmos. Mas a razão para sobreviver é viver cada dia como se fosse o único.
    Tudo de bom, meu Amigo.
    Um beijo.

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    1. É verdade, cada dia poderá ser o único e podemos até ficar entusiasmados por haver amanhã.
      Um abraço.

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  6. Do que sabemos só temos uma vida e com todas as dores e feridas que ela pode ter tido no percurso, também terá havido luz, amor e paixão. Sem esquecer a dor que nos coube, cabe-nos também guardar o melhor para continuar a caminhar.

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    1. As nossas memórias são a nossa identificação perante nós próprios, nuns dias reconhecemos as melhores memórias em outros dias nem tanto.

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    2. É verdade, há momentos tristes e ficam colados um bom bocado.

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  7. Boa tarde Poeta,
    Um poema muito profundo em que o Poeta se sente diferente, muito consciente e deslocado do mundo, carregando um “segredo” interior que o isola e que, apesar disso tudo, ainda procura uma razão para continuar a viver.
    Apesar das dores e do sofrimento vale a pena continuar a caminhar dentro da poesia e dos jardins que existem em nosso redor.
    Beijinhos,
    Emília

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    1. Estou de acordo, encontramos sempre uma razão para continuar.
      Um abraço.

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  8. Faz da sobrevivência
    Tua bandeira
    E essa luta
    Te dará vida inteira

    Há mortos que nunca terão morrido
    Anota isto que te digo

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  9. 'Há mortos que nunca terão morrido' O Rogério é um poeta!
    Assim como você Luís_ "dai-me uma razão e eu sobreviverei "
    Como é bom ter amigos poetas ! estou anotando !
    Não podemos morrer , por ora... não é ? Beijinho ,amigo e boa semana

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    1. Estamos vivos, temos os nossos lugares de encontro e trocamos os nossos escritos.
      Boa semana.
      Um abraço.

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  10. Há sempre razões que a razão desconhece para a sobrevivência...
    Mas elas estão dentro de nós.
    Boa semana.
    Um abraço.

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    1. Concordo, continuamos sem sequer pensar porquê.
      Boa semana.
      Um abraço

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  11. O texto apresenta uma reflexão densa e algo enigmática sobre identidade, herança e solidão. A repetição da ideia de “doença” como algo quase preferível à normalidade confere-lhe um carácter provocador, enquanto os versos finais deixam em aberto uma necessidade de sentido que ecoa para além do poema...

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  12. Boa tarde Caro Poeta/Pintor
    Um poema de tom introspectivo, onde a ideia de doença surge como metáfora para uma condição existencial mais profunda.
    Destaca-se a forma como o autor inverte conceitos comuns, criando um olhar singular sobre a fragilidade humana.
    Boa semana com saúde e paz.
    :)

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    1. A fragilidade humana é uma realidade, nem sempre temos essa consciência.
      Sempre aprecio os seus comentários e as suas interpretações.
      Boa semana.
      Um abraço.

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  13. Não vejo o meu comentário.
    Um abraço.
    Olinda

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    1. Hoje também não vi algum comentário seu. Por alguma razão se perdeu, nem sequer fui notificado por correio electrónico.
      Um abraço.

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