Foto de Daniel Filipe Rodrigues 


Já não creio em nada
a dor do corpo e do espírito 
sempre reaparece nas madrugadas
como chumbo
ou como um animal pesado
aninhado no abdómen 
como se a vida fosse um corpo humano
nascendo na boca
e morrendo nas plantas dos pés 
e a dor do corpo e do espírito 
será o sinal divino
de que as blasfémias são castigadas
sem pau nem pedra

esta dor mata-me
hei-de ressuscitar mesmo descrente
nem que seja noutra boca. 


 


 

3 comentários:

  1. O poeta capta com precisão cirúrgica aquela agonia existencial e física que parece pesar mais durante a noite.
    O poema profundamente visceral e doloroso contrasta com a beleza bucólica da fotografia.

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  2. Quando a crueza da dor humana é justaposta à serenidade da natureza, ambos os elementos ganham mais força.

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