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Eis-me aqui
em versos
em silêncios 
em grotescos esgares
sozinho 
por isso

partículas deste todo
são feridas
sob a pele
em silêncio 
em versos
em doloridos gestos

eis-me aqui
para que açoitem
os meus versos
os meus silêncios
estas partículas de mim
sem benevolência 

depois o pó 
o vento
o silêncio 
os versos
e tudo deixa de existir
sem piedade.




8 comentários:

  1. A escrita como esse espaço de absoluta nudez, onde a arte e a dor se fundem e onde o silêncio ganha corpo. É precisamente nessa vulnerabilidade, no limite entre a palavra e o fim, que a poesia encontra a sua força mais pura e visceral. Saber ler essa entrega e essa melancolia dá um sentido ainda maior a cada verso moldado pelo sofrimento e pela passagem do tempo.

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    1. Muito me encantou este seu comentário. Como caracteriza o acto de escrever é muito poético e reconfortante para quem faz incursões nos lugares doloridos.

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  2. A vida é feita de paixão e pó...
    Beijos e abraços
    Marta

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  3. É um animal solitário, Nuvens?! Mas para quê a violência de açoitá-lo?! Merece-a? Fez mal a alguém? Então, se calhar tem de se aguentar. É uma chatice, mas cada um cava a sua cova.
    Os solitários não se açoitam, ou haveria ainda mais pancada por aí. São como as árvores, vivem sós. E raro florescem.

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  4. Arrepia a nudez e a verdade que estas palavras trazem. Deixo uma flor no seu poema.

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