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Estou no limbo
nesse lugar a que quase todos pertencemos
é o abismo com os seus círculos 
 
estou no limbo
tal a diversidade das minhas transgressões 
rejeito o dogma
rejeito o divino
rejeito a fé 
mas não rejeito a transcendência da poesia

numa gota de sangue de uma ave
tomo o gosto do seu canto. 


 


 

8 comentários:

  1. Se o limbo é esse espaço de suspensão, a poesia é, por excelência, a liturgia dos sem-igreja. Ela não exige a submissão ao dogma nem se contenta com a aridez do niilismo; ela opera na fenda, no exacto território onde o mistério permanece vivo, mas desprovido de obrigações celestes. O sagrado reside na matéria, no sangue e no canto de uma ave. Tal qual como o poema a imagem está profundamente ligada à arte e à existência.

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    1. Comentário profundo, análise complexa com a qual concordo. Este texto seu poderia ser o prefácio de um livro de poesia.

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  2. Mas o mistério continua a atrair-nos e encontramos na poesia um caminho para falar dele.
    Beijos e abraços
    Marta

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    1. A poesia transmite-nos o conforto de uma ilusão de salvação dos ruídos e explosões deste nosso mundo.
      Um abraço.

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  3. É mais do que um limbo, talvez seja mesmo uma fronteira. Mas há sagrado sim, só que não é feito de convenções, é busca individual, por vezes solitária, outras com a consciência de que são muitos os que vivem desse mesmo lado da fronteira. A poesia é a própria mística, uma forma única de comungar com o universo, se calhar teve sorte.

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    1. Apreciei o seu comentário. Uma interpretação aceitável, uma alternativa à descrença.
      Obrigado.
      Um abraço.

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  4. Há ainda outra alternativa: a de ignorar...
    Gostei do poema, é muito bom.
    Boa semana.
    Um abraço.

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    1. A outra alternativa é resultado do desespero.
      Boa semana.
      Um abraço.

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