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Estou no limbonesse lugar a que quase todos pertencemosé o abismo com os seus círculos
estou no limbotal a diversidade das minhas transgressõesrejeito o dogmarejeito o divinorejeito a fémas não rejeito a transcendência da poesianuma gota de sangue de uma avetomo o gosto do seu canto.

Se o limbo é esse espaço de suspensão, a poesia é, por excelência, a liturgia dos sem-igreja. Ela não exige a submissão ao dogma nem se contenta com a aridez do niilismo; ela opera na fenda, no exacto território onde o mistério permanece vivo, mas desprovido de obrigações celestes. O sagrado reside na matéria, no sangue e no canto de uma ave. Tal qual como o poema a imagem está profundamente ligada à arte e à existência.
ResponderEliminarComentário profundo, análise complexa com a qual concordo. Este texto seu poderia ser o prefácio de um livro de poesia.
EliminarMas o mistério continua a atrair-nos e encontramos na poesia um caminho para falar dele.
ResponderEliminarBeijos e abraços
Marta
A poesia transmite-nos o conforto de uma ilusão de salvação dos ruídos e explosões deste nosso mundo.
EliminarUm abraço.
É mais do que um limbo, talvez seja mesmo uma fronteira. Mas há sagrado sim, só que não é feito de convenções, é busca individual, por vezes solitária, outras com a consciência de que são muitos os que vivem desse mesmo lado da fronteira. A poesia é a própria mística, uma forma única de comungar com o universo, se calhar teve sorte.
ResponderEliminarApreciei o seu comentário. Uma interpretação aceitável, uma alternativa à descrença.
EliminarObrigado.
Um abraço.
Há ainda outra alternativa: a de ignorar...
ResponderEliminarGostei do poema, é muito bom.
Boa semana.
Um abraço.
A outra alternativa é resultado do desespero.
EliminarBoa semana.
Um abraço.