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Eis-me aqui
em versos
em silêncios
em grotescos esgares
sozinho
por isso
partículas deste todo
são feridas
sob a pele
em silêncio
em versos
em doloridos gestos
eis-me aqui
para que açoitem
os meus versos
os meus silêncios
estas partículas de mim
sem benevolência
depois o pó
o vento
o silêncio
os versos
e tudo deixa de existir
sem piedade.

A escrita como esse espaço de absoluta nudez, onde a arte e a dor se fundem e onde o silêncio ganha corpo. É precisamente nessa vulnerabilidade, no limite entre a palavra e o fim, que a poesia encontra a sua força mais pura e visceral. Saber ler essa entrega e essa melancolia dá um sentido ainda maior a cada verso moldado pelo sofrimento e pela passagem do tempo.
ResponderEliminarMuito me encantou este seu comentário. Como caracteriza o acto de escrever é muito poético e reconfortante para quem faz incursões nos lugares doloridos.
EliminarA vida é feita de paixão e pó...
ResponderEliminarBeijos e abraços
Marta
A maior parte do tempo é pó.
EliminarUm abraço.
É um animal solitário, Nuvens?! Mas para quê a violência de açoitá-lo?! Merece-a? Fez mal a alguém? Então, se calhar tem de se aguentar. É uma chatice, mas cada um cava a sua cova.
ResponderEliminarOs solitários não se açoitam, ou haveria ainda mais pancada por aí. São como as árvores, vivem sós. E raro florescem.
Ora aí está... agora mesmo fui açoitado.
EliminarUm abraço.
Arrepia a nudez e a verdade que estas palavras trazem. Deixo uma flor no seu poema.
ResponderEliminarFico agradecido pela distinção florida.
EliminarUm abraço.