Imagem de ChatGPT 


A vida
foi-me entregue assim
nas mãos 
com cânticos 
o modo de a usar
foi como um doce
lambuzei-me com ela
até ao exagero
até à doença 
até ao susto

a vida
sem instruções de uso
sem prazo de validade
sem possibilidade de recusa
com a infantilidade de a viver
em modo de infinitude
negando Deus e os seus milagres 
foi-me oferecido um fim 
para o qual não me avisaram
à nascença involuntária 

a vida
é uma trágica ditadura
entregue à tarefa do tempo
com quem convivo 
encaro-o pacificamente
sento-me à mesa com ele
e peço 
dois chás e duas madalenas
isto é a vida
e o modo de a usar. 


 



 

20 comentários:

  1. Olha, Olha gostei muito deste poema como o narras e a foto muito bem escolhida!
    Beijos e um bom dia!

    ResponderEliminar
  2. Introspectiva sobre a condição humana, o excesso na juventude e a aceitação serena da finitude.
    A vida é retratada como uma experiência sem manual de instruções, culminando numa convivência pacífica com o Tempo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A vida é uma ditadura do tempo... sem alternativa.

      Eliminar
    2. A ideia é de que "não importa o que fizeram de nós, o que importa é o que fazemos com o que fizeram de nós".

      Eliminar
    3. Uma referência da nossa juventude que... permanece até hoje.

      Eliminar
  3. Respostas
    1. Ficámos melancólicos... é próprio do lugar onde chegámos.
      Boa semana.
      Um abraço.

      Eliminar
  4. A vida pode derrotar-nos à partida ou leva-nos a lutar contra o rumo imposto... Mas depois o Tempo torna-se inevitável.
    Beijos e abraços
    Marta

    ResponderEliminar
  5. Chá e Madalenas é o Outono estação e o Outono Vida, é bonito também, a vida tem muitas estações e não temos nem podemos ter sempre o mesmo folgo, energia e garra, mas ganha-se outras coisas, bem presentes na serenidade do poema.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O Outono é uma estação onde se faz o saldo da nossa experiência de vida.
      Um abraço.

      Eliminar
  6. Pois. À nascença, para que quereria o aviso se o não entendia?! Porque quando criamos alguma consciência, e ainda que a morte nos pareça coisa que só acontece aos outros, vamos dando a cada hora conta dos limites, há até quem lhes chame boa educação, regras da convivência social, etc.
    Conviver com ela é o nosso ofício. A forma como cada um entende a convivência, diverge - de uns a outros e do mesmo no tempo que o vai devorando. Essa é que é essa.
    E cara alegre que estar e poder mexer-se indo de um lado a outro não é benesse de todos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A poesia não responde a nada, por vezes, é até absurda mas... foi uma grande invenção para nos mostrar que o mundo e a vida não é só a constatação da realidade.
      Um abraço.

      Eliminar
  7. A vida! Um mistério.
    "A vida
    sem instruções de uso
    sem prazo de validade
    sem possibilidade de recusa"
    Nascemos num dia qualquer e morremos da mesma forma.
    Um abraço
    Olinda

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Só depois de termos consciência disso é que começamos a viver.
      Um abraço.

      Eliminar
  8. Pois é: a vida é mesmo uma ditadura do tempo e sem prazo de validade. Por isso há que aproveitar cada dia como se fosse o único. A fotografia tem uma loiça muito bonita.
    Tudo de bom, meu amigo.
    Um beijo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Estamos a respirar, a olhar, a ouvir o que de melhor podemos escolher... aproveitamos.
      Um abraço.

      Eliminar
  9. "dois chás e duas madalenas" , isso aí ! nossa mesa sempre acompanhados, mesmo que seja no sonho .
    Um poema lindo ensinando a encarar avida .
    Beijinhos , L

    ResponderEliminar